O varrimento raios-X de enxames de galáxias a multimilhões de graus Celsius permitiu abrir uma linha de investigação para a detecção da energia escura do Universo Crédito: David A. Aguilar, Harvard Smithsonian Center of Astrophysics

Varrimento Raios-X de Enxames de Galáxias: Chandra sonda Energia Escura

Um varrimento nos raios X do cosmos confirma a noção popular de que vivemos num universo de “pára-arranca” que pode expandir-se para sempre.

Os novos dados do Observatório de raios X Chandra concordam com as medidas anteriores realizadas pelo telescópio espacial Hubble e outros, mostrando que o Universo inicialmente teve uma expansão muito rápida, travou um pouco como consequência da sua própria massa e começou então a acelerar há cerca de 6 mil milhões de anos. Todas as galáxias excepto aquelas que se encontram gravitacionalmente ligadas em grupos locais afastam-se agora umas das outras a velocidades crescentes.

Embora os cientistas não tenham a certeza de que a aceleração do Universo seja constante, os novos dados parecem apontar nesse sentido.

Este trabalho não sugere pistas relativamente ao porquê da aceleração da expansão do Universo, no entanto os astrónomos parecem crer tratar-se de energia escura, capaz de gerar uma força misteriosa. A energia escura parece ser a única solução para o fenómeno da aceleração da expansão foi detectado pela primeira vez pelo HST em 1998 durante a observação de supernovas em galáxias longínquas e que agora é confirmada pelas observações do Chandra.

Assumindo que a energia escura seja responsável pela aceleração, a conjugação dos resultados do Chandra com os da radiação cósmica de fundo de microondas indica que a energia escura seja cerca de 75% da composição Universo, a matéria escura seja 21% e a matéria visível apenas cerca de 4%.

Uma das questões que se levanta é se a energia escura exercerá uma força constante ou se será variável ao longo do tempo. Se a energia escura diminuir a intensidade das forças que gera o Universo poderá ainda inverter a sua marcha e voltar a colapsar; caso a sua força seja sempre crescente poderá provocar a separação definitiva de toda a matéria num fenómeno já designado de “Big Rip”; se se mantiver constante, então a aceleração limitar-se-á a continuar, colocando em última instância algumas galáxias mais longe do que o que é possível observar a qualquer telescópio. Esta última hipótese parece ser a que é sgerida pelas observações do Chandra embora tenham que ser confirmadas com mais dados observacionais.

O Chandra observou 26 enxames de galáxias, cada uma uma delas rodeada de uma nuvem de gás quente e mantidas juntas pela matéria escura, outra estrutura desconhecida que é invocada para explicar o não afastamento das galáxias dos enxames durante a expansão, o que ocorreria se apenas tivessem a matéria visível; as distâncias detectadas aos enxames são substancialmente maiores que o previsível se não existisse energia escura.

Os cientistas estão ainda muito confusos com a natureza da energia escura, sendo claro que se trata da mais profunda questão que se levanta actualmente na ciência e que esta questão não será provavelmente respondida por esta geração de cientistas. Enquanto não se perceber o que é a energia escura, todas as alternativas para o futuro do Universo estão em aberto.

Sobre Miguel Montes

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