Imagem do Cometa Linear. Crédito: ESA/MPG/H. Uwe Keller

Primeira observação científica da Rosetta

O caçador de cometas da ESA, a sonda Rosetta, cuja viagem de 10 anos até ao seu destino final (Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko) começou a 2 de Março, está no bom caminho. A primeira fase está quase completa e a Rosetta conseguiu completar com sucesso a sua primeira actividade científica – observar o Cometa Linear.

Estas actividades, que começaram um par de dias depois do lançamento, incluíram a activação individual de todos os instrumentos a bordo do orbiter e do lander Philae. O primeiro diagnóstico correu sem falhas e mostrou que a nave e todos os instrumentos estão funcionando em excelentes condições.

Estes testes também delinearam o caminho até à primeira actividade científica da Rosetta: observar o Cometa C/2002 T7 (LINEAR), que está actualmente viajando na sua primeira e única visita ao Sistema Solar interior, ofereceu à sonda uma oportunidade excelente de fazer a sua primeira observação científica.

A 30 de Abril, o sistema de câmaras OSIRIS tirou imagens do visitante cometário único. Nesse mesmo dia, outros três instrumentos a bordo da Rosetta (ALICE, MIRO e VIRTIS) foram activados em paralelo de modo a fazer medições do cometa. Embora esta activação paralela dos instrumentos tivesse sido planeada para mais tarde, a equipa de cientistas da Rosetta estava confiante que isto poderia ser feito sem qualquer risco, dado o progresso satisfatório do teste em geral.

Os primeiros dados das observações remotas confirmam a excelente performance dos instrumentos. Quatro destes tiraram imagens e dados espectrais do Cometa C/2002 T7 (LINEAR), de modo a estudar a sua cabeleira e cauda em diferentes comprimentos de onda, variando desde o ultravioleta até ao micro-ondas. A sonda mediu com sucesso a presença de moléculas de água na ténue atmosfera ao redor do cometa. Análises mais detalhadas dos dados requerem a calibração completa dos instrumentos, que terá lugar nos próximos meses. A câmara OSIRIS produziu imagens de alta resolução do Cometa C/2002 T7 (LINEAR) a partir de uma distância de 95 milhões de quilómetros. A imagem mostra um núcleo pronunciado e uma secção da ténue cauda extendendo-se a cerca de 2 milhões de quilómetros.

A excelente observação do Cometa Linear foi um primeiro teste positivo para o objectivo principal da sonda Rosetta, o estudo do Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko, onde chegará em 2014. A Rosetta será a primeira missão com um longo período de exploração de um cometa a pequenas distâncias, à medida que o acompanha para mais perto do Sol.

O estudo aprofundado sem precedentes do orbiter Rosetta e do lander Philae irá ajudar os cientistas a decifrar a formação do nosso Sistema Solar há cerca de 4600 milhões de anos atrás e providenciará pistas de como os cometas podem ter contribuido para o começo da vida na Terra. Em particular, o lander Philae, desenvolvido por um consórcio Europeu sobre a liderança do Instituto Alemão de Pesquisa Aerospacial (DLR), irá analisar a composição e estrutura da superfície do cometa.

Depois das primeiras manobras de espaço profundo terem sido efectuadas a 10 e 15 de Maio com a maior precisão possível, a primeira fase está no seu final e acabará ainda esta semana. A Rosetta irá depois entrar num calmo ‘modo cruzeiro’ até Setembro, quando a segunda fase está planeada começar. Estas actividades, incluíndo a campanha de interferência e apontamento, irão durar até Dezembro.

A Rosetta está no bom caminho da sua viagem épica de 10 anos, para fazer o que nunca foi antes tentado – orbitar e aterrar num cometa.

Sobre Miguel Montes

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