Impressão de artista dos rovers gémeos, Spirit e Opportunity, da missão MER (Mars Exploration Rovers)

Marte já transbordou de água

Quando a missão dos dois “rovers” marcianos foi pela primeira vez planeada, o seu objectivo era claro: saber se água existiu em Marte e onde. Para isso, a Spirit aterrou no que se pensa ser um antigo lago marciano; a Opportunity aterrou numa planície que se sabe que contém hematite cristalina – um sinal mineralógico que sugere a presença de água. No dia 2 de Março, os cientistas da NASA anunciaram que a missão da Opportunity é um sucesso. As rochas por baixo das suas rodas estiveram já cobertas de água. Ainda mais, o agora árido terreno foi antigamente um local que poderia ter suportado vida.

Quatro importantes provas levaram os cientistas a tirar esta conclusão:

  • Pequenas esférulas de tamanho BB situadas no local de aterragem da Opportunity parecem ser constituídas por materiais que se formaram numa solução aquosa.
  • As rochas da região estão impregnadas com pequenos buracos – provavelmente devido aos cristais que se formaram nos sedimentos e que mais tarde se dissolveram.
  • Existem abundantes quantidades de enxofre, provavelmente na forma de sais. Na Terra, estes são comuns em água.
  • O mineral jarosito é abundante na região. Tal como os sais anteriores, o jarosito (hidróxido sulfato de ferro potássio) precisa de água líquida para se formar.

Enquanto esta descoberta não é nenhuma surpresa para muitos “experts” no campo – os geólogos planetários suspeitam há décadas que água deve ter sido abundante na superfície marciana – é o tipo de prova que esperavam. No entanto, os astrónomos não conseguem ainda determinar o “quando” da presença de água, ou por quanto tempo lá permaneceu.

A alta presença de sais, nalguns lugares igualando os 40% da região exposta, aponta para que a água tivesse sofrido uma sequência de evaporação. Os sais dissolveram-se na água, e à medida que o líquido se evaporava, deixou para trás os minerais que a Opportunity hoje detecta. Com base nas concentrações medidas, antes da água desaparecer, esta área era, de acordo com os cientistas, “tão salgada como o Mar Morto”.

“A água líquida corria pela rochas. Se mudou a sua textura, e mudou a sua química, o próximo passo é determinar quando e como”. Durante as próximas semanas, o robot irá tentar caracterizar a hematite para aumentar a compreensão da história da água do planeta. Os cientistas querem descobrir a extensão da água na superfície marciana. Não existem nenhumas linhas costeiras que sugerem algum limite de lagos ou oceanos no local de aterragem da Opportunity, de nome Meridiani Planum. O rover irá viajar mais ou menos 740 metros para Este em direcção a uma cratera chamada Endurance, que parece ser uma versão maior da já investigada. Endurance tem cerca de 160 metros de largura e 30 metros de profundidade.

Depois, se o heróico robot aguentar, irá percorrer 2 quilómetros em direcção a um terreno sarapintado claro e escuro, onde áreas brilhantes vistas a partir de órbita parecem ser mais afloramentos de leitos de rocha.

Para missões futuras, a Meridiani Planum é agora o local escolhido para uma missão de “colheita” de amostras. Este tipo de missão ainda não foi planeado porque os cientistas não tinham a certeza do ponto de aterragem e consequente estudo. Agora, pelo menos, há um local que sabem que podem encontrar alguma coisa de interesse. Esta missão está planeada para o fim da década. Outras missões – incluindo a do rover Spirit – serão ajustadas de modo a compensar o que a Opportunity já aprendeu.

Marte presentemente encontra-se a 251 milhões de quilómetros da Terra, ou cerca de 1.7 vezes a distância entre a Terra e o Sol (a unidade astronómica). É visível acima do brilhante Vénus no céu nocturno.

Sobre Miguel Montes

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