
Crédito: NASA/JPL-Caltech/ASU
A sonda espacial Psyche da NASA concluiu a sua aproximação a Marte no passado dia 15 de maio, chegando a uma distância 4609 quilómetros da superfície do planeta. Esta passagem aproveitou a assistência gravitacional de Marte para proporcionar um aumento crucial na velocidade e ajustar o plano orbital da sonda sem utilizar qualquer combustível a bordo, encaminhando-a para o asteroide Psique, rico em metais.
A sonda dirige-se agora diretamente para o asteroide, localizado na cintura principal de asteroides entre Marte e Júpiter. Após a aproximação a Marte, a equipa de voo analisou os sinais de rádio entre a sonda e a DSN (Deep Space Network) da NASA, o sistema global da agência para comunicar com sondas interplanetárias, para confirmar que a Psyche se encontrava na trajetória correta.
“Embora estivéssemos confiantes nos nossos cálculos e no plano de voo, monitorizar o sinal Doppler da DSN em tempo real durante a aproximação foi ainda assim emocionante”, afirmou Don Han, responsável pela navegação da Psyche no JPL da NASA, no sul da Califórnia. “Confirmámos que Marte deu à sonda um impulso de 1600 km/h e alterou o seu plano orbital em cerca de 1 grau em relação ao Sol. Estamos agora a caminho de chegar ao asteroide Psique no verão de 2029”.

Crédito: NASA/JPL-Caltech/ASU
Uma vista marciana única
Nos dias que antecederam e durante a aproximação, todos os instrumentos da Psyche foram ligados para a realização de calibrações, incluindo as câmaras, os magnetómetros e os espetrómetros de raios gama e de neutrões. O encontro planetário proporcionou à missão um valioso ensaio para quando chegar ao asteroide Psique; como bónus, captou imagens de Marte a partir de uma perspetiva rara.
Como a Psyche passou por Marte a partir de um ângulo de fase elevado, o planeta apareceu como um fino crescente nos dias que antecederam a aproximação máxima, iluminado pela luz solar refletida na sua superfície. Nas observações do sensor multiespectral da sonda, o crescente apareceu mais brilhante e estendeu-se mais ao redor do disco do planeta do que o previsto, devido à forte dispersão da luz solar através da atmosfera empoeirada do planeta. À medida que a Psyche passava dos céus noturnos de Marte para os diurnos, tirou uma rápida série de fotografias da superfície por volta do momento da aproximação máxima.
“Captámos milhares de imagens da aproximação a Marte e da superfície e atmosfera do planeta na aproximação máxima. Este conjunto de dados proporciona-nos oportunidades únicas e importantes para calibrar e caracterizar o desempenho das câmaras, bem como para testar as primeiras versões das nossas ferramentas de processamento de imagem que estão a ser desenvolvidas para utilização no asteroide Psique”, afirmou Jim Bell, responsável pelo instrumento de imagem da Psyche na Universidade do Estado do Arizona, em Tempe, EUA. “À medida que a sonda prossegue a sua viagem após a aproximação, continuaremos a realizar imagens de calibração de Marte durante o resto do mês, à medida que este se afasta”.
Bell também lidera a investigação de imagens da Mastcam-Z na equipa da missão do rover Perseverance da NASA em Marte, que foi uma das várias missões que forneceram imagens complementares da superfície e da atmosfera, bem como dados de navegação durante a aproximação, para ajudar nos esforços de calibração. Outras missões envolvidas incluem a MRO (Mars Reconnaissance Orbiter) da NASA, a Mars Odyssey e o rover Curiosity, juntamente com a Mars Express e a ExoMars TGO (Trace Gas Orbiter) da ESA.
Para além do sensor de imagem, as primeiras medições de calibração feitas pelos magnetómetros da Psyche podem ter detetado o choque em arco de Marte à medida que a nave espacial passava pelo planeta. A equipa do espetrómetro de raios gama e neutrões também estava a recolher rapidamente dados para calibrar o instrumento, comparando as suas medições com o vasto conjunto de dados existentes sobre Marte.

Crédito: NASA/JPL-Caltech/ASU
Em direção ao asteroide Psique
Com Marte no retrovisor, a sonda espacial retomará em breve a utilização do seu sistema de propulsão solar-elétrica para seguir em linha reta para a cintura principal de asteroides. Quando chegar, em agosto de 2029, entrará em órbita em torno do asteroide Psique, que se pensa ser o núcleo parcial de um planetesimal, um bloco de construção de um planeta primitivo. Através de uma série de órbitas circulares que descem e depois sobem em altitude em torno de Psique, que tem cerca de 280 quilómetros de diâmetro no seu segmento mais largo, a sonda irá mapear o asteroide e recolher dados científicos.
Se o asteroide se revelar o núcleo metálico de um antigo planetesimal, poderá oferecer uma visão única do interior de planetas rochosos como a Terra.
“Há anos que aguardávamos ansiosamente a aproximação a Marte, mas agora está concluída. Podemos agradecer ao Planeta Vermelho por ter proporcionado à nossa sonda espacial um impulso gravitacional crucial para nos levar para mais longe no Sistema Solar”, afirmou Lindy Elkins-Tanton, investigadora principal da missão Psyche na Universidade da Califórnia, em Berkeley. “Em frente, rumo ao asteroide Psique!”
// NASA (comunicado de imprensa)
Saiba mais:
Missão Psyche:
NASA
Universidade do Estado do Arizona
Wikipedia
Marte:
NASA
Wikipedia
The Nine Planets
Asteroide 16 Psique:
NASA
Universidade do Estado do Arizona
Wikipedia
CCVAlg – Astronomia Centro Ciência Viva do Algarve – Astronomia