Estrela de massa elevada forma-se através de disco de acreção com rotação

A partir de um enorme esforço observacional efectuado na sua maioria com telescópios do ESO (Observatório Europeu do Sul) uma equipa de astrónomos (Rolf Chini, Vera Hoffmeister, Markus Nielbock (Astronomisches Institut, Ruhr-Universität Bochum, Germany), Stefan Kimeswenger (Institut für Astrophysik der Universität Innsbruck, Austria), Dieter Nürnberger, Linda Schmidtobreick and Michael Sterzik) provou que na nebulosa M17 os objectos estelares mais massivos se formam por acreção através de discos circumestelares rotativos, isto é, da mesma forma que as estrelas de menor massa.

Para chegar a esta conclusão, os astrónomos usaram detectores de infravermelho ultra sensíveis para penetrar a parte sudoeste da nebulosa M17, de modo a que a emissão ténue do aquecimento provocado pelas estrelas mais massivas, cuja emissão está parcialmente bloqueada pela própria nuvem molecular e pela poeira nela contida.

Contra o fundo desta região uma grande silhueta opaca que lembra um aproximadamente disco incendiado de perfil, parece estar associada a uma nebulosa de reflexão com a forma de uma ampulheta. Este sistema encaixa perfeitamente na descrição de uma estrela de elevada massa recentemente formada rodeada por um enorme disco de acreção e acompanhada por um outflow energético bipolar.

As novas observações corroboram os recentes cálculos teóricos que admitem que os processos de formação estelar para estrelas até cerca de 40 massas solares podem ocorrer do mesmo modo que o que é aceite para estrelas de pequena massa.

Enquanto muitos detalhes sobre a formação de estrelas de pequena massa são conhecidos, o cenário que conduz à formação de estrelas de massa elevada permanece ainda obscuro. Existem duas vias de formação que estão actualmente a ser analisadas. Na primeira, estas estrelas formam-se a partir da acreção de quantidades enormes de material circumestelar, sendo o colapso variável ao longo do tempo. A outra possibilidade é através da colisão de protoestrelas de massa média, aumentando a massa por “saltos”.

Na busca de pistas que forneçam a resposta a esta questão fundamental, uma equipa de astrónomos europeus usou uma grande quantidade de telescópios (sobretudo em La Silla e Paranal) e de tempo de observação para estudar com enorme detalhe a Nebulosa Omega (M17).

A Nebulosa Omega, também conhecida como o objecto 17 do catálogo de Charles Messier, isto é, Messier 17 ou M17, é uma das regiões mais abundantes de formação estelar da nossa Galáxia e encontra-se a 7.000 anos-luz da Terra.

Sobre Miguel Montes

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