O Cometa Machholz. Crédito: Ralf Weber

O Cometa Machholz

Uma nuvem de gás maior que o planeta Júpiter vai passar próximo das sete irmãs da constelação de Touro.

Se usarmos uns binóculos vai ser possível assistir ao evento esta noite, entre as 21h00 e as 22h00. Saia de casa e olhe para Sul. Vai ver Orionte a lutar com o Touro. A imagem não engana ninguém. Um pouco desviado para o Oeste fica o enxame das 7 irmãs mais vulgarmente conhecido por Plêiades (M45).

Este é o aspecto que vai ter em quase em qualquer noite do mês de Janeiro. Mas esta noite existe algo ligeiramente diferente: a nuvem verde.

Olhe para 2º para a direita das Pleiades. A nuvem parece uma estrela um pouco difusa escassamente visível a olho nú, mas facilmente visível através de uns binóculos.

Se seguiu as instruções acabou de descobrir o cometa Machholz.

A ascensão recta (J2000) do cometa é 3 h 35 m 46.6 s e a declinação (J2000) é 22° 58′ 55″ , a magnitude é 4,1 e a distância à Terra é 0,348 UA, o que significa que a luz demora cerca de 170 s a chegar até nós.

Os astrónomos têm visto o cometa Comet Machholz aproximar-se da Terra desde que o astrónomo amador e caçador de cometas Don Machholz o descobriu em Agosto de 2004. Esta semana faz a sua maior aproximação ao nosso planeta atingido as 0.35 UA. Não é muito próximo o que é a razão porque o cometa parece apenas um pequeno ponto e não um grande cometa.

No entanto é bonito. Para além da cabeleira verde apresenta ainda duas caudas.

Uma cauda é a cauda iónica. É constituída de átomos e moléculas carregados electricamente (iões) que são expulsos da cabeleira pelo vento solar. Esta cauda aponta directamente para o lado oposto ao Sol e algumas variações do vento solar podem provocar pequenas deformações e nós. Os astrónomos amadores têm visto isto acontecer nas últimas semanas.

A outra cauda é a cauda de poeiras. A poeira dos cometas é mais pesada que o gás. Resiste ao vento solar mas vai ficando para trás do cometa desenhando a sua trajectória. As tempestades solares não afectam grandemente a cauda de poeiras, por isso esta é bastante mais regular.

Tudo o que se vê do cometa Machholz provém de um asteróide de gelo no meio da cabeleira. Os astrónomos chamam a isto o núcleo. Quando os raios solares incidem sobre o núcleo fazem com que sublime o que cria jactos que alimentam a cabeleira e que por sua vez cria as caudas que ficam para trás.

Não perca nas próximas noites.

Sobre Miguel Montes

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