Impressão de artista dos rovers gémeos, Spirit e Opportunity, da missão MER (Mars Exploration Rovers)

Um ano em Marte

Sozinho num mundo alienígena, a milhões de quilómetros de casa, um persistente robot celebra o seu primeiro aniversário – um ano no planeta Marte.

O rover marciano Spirit já passou por muito desde que desceu pela atmosfera do planeta e aterrou aos reboliços dentro de um airbag na cratera Gusev a 3 de Janeiro de 2003. Sobreviveu mais de quatro vezes o tempo previsto para a sua missão inicial (90 dias), percorreu quilómetros na paisagem enferrujada de Marte e aguentou um Inverno marciano apenas para escalar montes, guiado pelos seus condutores humanos.

A NASA comemorou o primeiro ano da Spirit com um dia cheio de eventos, conferências de imprensa e até um bolo de aniversário.

A Spirit continua a enviar informações científicas desde os Montes Columbia, uma região a mais de 3.2 quilómetros do seu local de aterragem na Cratera Gusev. O estudo desses montes providendicou mais provas de que água moldou o passado de Marte. Entretanto, do outro lado de Marte, en Meridiani Planum, o gémeo robótico do Spirit, o Opportunity, continua a estudar o seu próprio escudo de protecção enquanto procura recolher mais detalhes acerca do passado aquático da área.

“É espantoso quão bem está a correr,” disse Steve Squyres, investigador principal do projecto. “São máquinas resistentes construídas por uma equipa fantástica.”

Um problema no software da Spirit afectou a sonda nas primeiras semanas da missão, quando entrou em silêncio durante algum tempo, até que os engenheiros conseguiram reparar o erro e o rover pôde continuar com o seu estudo. A avaria estava relacionada com a memória flash e foi necessário um update ao software para a conseguir ultrapassar. Se a Opportunity tivesse aterrado primeiro, teria o mesmo problema.

A Spirit também passou por outros maus lençóis, tais como o de uma roda que a deixou dependente de apenas cinco das seis para percorrer Marte. Mas isso não a impediu de lentamente escalar o Monte Husband nos Montes Columbia até um local que poderá dar um bom ponto de observação de um vale vizinho, esperam os cientistas.

“A Spirit é trabalhadora e dura,” disse Squyres, acrescentando que o rover está todo arranhado e cheio de pó. Ao invés, “a Opportunity parece que aterrou apenas agora, toda limpinha e bonita.”

Squyres e outros membros da equipa tornaram-se tão experientes na condução da Spirit e da Opportunity na Terra, que já não precisam de se juntar no JPL e planear todos os momentos do dia de cada rover. Em vez disso, planeiam e operam os rovers remotamente através de telefone e vídeo.

“Do ponto de vista da engenharia, temos mesmo que lhes tirar o chapéu,” disse Matt Golombek, do JPL. “Estes rovers tinham uma curta vida estimada em três meses, e agora nem sabemos quando irão parar.”

Sobre Miguel Montes

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