Um dos instrumentos científicos principais do Telescópio Espacial Hubble falhou a 3 de Agosto. Um conversor de energia avariou na caixa electrónica principal do “Space Telescope Imaging Spectrograph” (STIS), o único instrumento do Hubble que pode registar espectros no visível e no ultravioleta, o que deixa este instrumento permanentemente inutilizável e o telescópio sem uma capacidade crucial.
Esta é uma grande desgraça para os astronómos, dado que o espectro é necessário para estudar a composição química e o estado físico dos objectos que o Hubble estuda, bem como a medição dos desvios para o vermelho das galáxias e as velocidades do gás à volta de buracos negros – todos objectivos científicos que os instrumentos restantes não conseguem ajudar. Ainda mais, a capacidade ultravioleta do STIS é única, porque a luz ultravioleta do espaço não chega aos telescópios terrestres. Isto deixa os astrónomos sem qualquer maneira de estudar as impressões digitais ultravioletas do hidrogénio ionizado e do carbono, dados importantíssimos para o estudo dos quasares e das atmosferas de estrelas quentes. A excelente visão do Hubble também ajudava o STIS permitindo o estudo do espectro de regiões extremamente pequenas – tal como o núcleo das galáxias – a serem escolhidas de entre fontes maiores, um factor chave na detecção da presença de buracos negros supermassivos no núcleo de galáxias.
O STIS foi adicionado ao Hubble na segunda missão de reparação em Fevereiro de 1997, ao substituir dois instrumentos anteriores: o “Faint Object Spectrograph” e o “Goddard High Resolution Spectrograph”. O seu sucessor, o “Cosmic Origins Spectrograph” (COS), está pronto para o lançamento mas está sendo indefinidamente atrasado devido ao impedimento (actualmente sob revisão) da utilização dos vaivéns espaciais depois do desastre do Columbia.
CCVAlg – Astronomia Centro Ciência Viva do Algarve – Astronomia