O início da formação de planetas, revelado por observações do ALMA

Imagem de alta resolução, pelo ALMA, do disco protoplanetário que rodeia DG Taurus num comprimento de onda de 1,3 mm. O aspeto suave, sem estruturas em forma de anel, indica uma fase pouco anterior à formação planetária.
Crédito: ALMA (ESO/NAOJ/NRAO), S. Ohashi, et al.

Uma equipa internacional de investigação aproveitou o poder do ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array) para iluminar os primórdios da formação planetária. Liderada pelo Professor Assistente de Projeto Satoshi Ohashi do NAOJ (National Astronomical Observatory of Japan), a equipa centrou o seu estudo numa protoestrela denominada DG Taurus (DG Tau), que apresentava um disco protoplanetário liso e sem defeitos, revelando as condições imediatamente anteriores à formação dos planetas.

Os cientistas pensam que os planetas emergem da poeira interestelar e do gás no disco circundante de uma protoestrela. No entanto, o início deste processo de transformação tem permanecido enigmático. Apesar de muitos discos observados com o ALMA apresentarem estruturas em forma de anel – sugerindo a presença de planetas – encontrar um disco imaculado sem tais assinaturas tem sido uma tarefa difícil.

O painel superior mostra os mapas de intensidade das ondas de rádio do disco de DG Tau em três comprimentos de onda: 0,87 mm, 1,3 mm e 3,1 mm. A acompanhar estes mapas estão os mapas de intensidade de polarização para os comprimentos de onda de 0,87 mm e 3,1 mm, mostrando as ondas de rádio dispersas pela poeira. O painel inferior apresenta a simulação óptima, alinhada com os resultados observados. Esta visão multifacetada fornece uma compreensão mais profunda dos processos que ocorrem no disco.
Crédito: ALMA (ESO/NAOJ/NRAO), S. Ohashi, et al.

As observações de DG Tau, uma protoestrela relativamente jovem, forneceram um avanço. Usando o ALMA, discerniram um disco uniformemente liso, desprovido dos padrões de anéis característicos frequentemente encontrados em protoestrelas mais antigas. Esta observação reforça a ideia de que DG Tau pode estar à beira da formação de um planeta. Decifrar as origens de planetas semelhantes à Terra é fundamental para compreender os primórdios da vida.

Alargando a sua investigação, a equipa observou o disco em diferentes comprimentos de onda, obtendo informações sobre o tamanho e a distribuição da poeira. As descobertas sugerem, de forma intrigante, que as regiões exteriores do disco são o potencial ponto de partida para a formação planetária, desafiando as ideias anteriores de que o disco interior era o ponto de partida primário. Em particular, o plano médio do disco exibia um elevado rácio poeira-gás, sugerindo que o disco está pronto para a formação de planetas.

“O ALMA conseguiu até agora captar uma grande variedade de estruturas de disco e revelou a existência de planetas. Por outro lado, para responder à questão ‘Como é que a formação de planetas começa?’, é importante observar um disco liso sem sinais de formação de planetas. Pensamos que este estudo é muito importante porque revela as condições iniciais para a formação planetária”, comentou o Professor Satoshi Ohashi sobre o significado das observações.

// Observatório ALMA (comunicado de imprensa)
// NAOJ (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (The Astrophysical Journal)
// Artigo científico (arXiv.org)

Saiba mais:

Discos protoplanetários:
Wikipedia
Formação planetária (Wikipedia)

ALMA:
Página principal
ALMA (NRAO)
ALMA (ESO)
Wikipedia

Sobre Miguel Montes

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