
Crédito: ALMA (ESO/NAOJ/NRAO), S. Ohashi, et al.
Uma equipa internacional de investigação aproveitou o poder do ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array) para iluminar os primórdios da formação planetária. Liderada pelo Professor Assistente de Projeto Satoshi Ohashi do NAOJ (National Astronomical Observatory of Japan), a equipa centrou o seu estudo numa protoestrela denominada DG Taurus (DG Tau), que apresentava um disco protoplanetário liso e sem defeitos, revelando as condições imediatamente anteriores à formação dos planetas.
Os cientistas pensam que os planetas emergem da poeira interestelar e do gás no disco circundante de uma protoestrela. No entanto, o início deste processo de transformação tem permanecido enigmático. Apesar de muitos discos observados com o ALMA apresentarem estruturas em forma de anel – sugerindo a presença de planetas – encontrar um disco imaculado sem tais assinaturas tem sido uma tarefa difícil.

Crédito: ALMA (ESO/NAOJ/NRAO), S. Ohashi, et al.
As observações de DG Tau, uma protoestrela relativamente jovem, forneceram um avanço. Usando o ALMA, discerniram um disco uniformemente liso, desprovido dos padrões de anéis característicos frequentemente encontrados em protoestrelas mais antigas. Esta observação reforça a ideia de que DG Tau pode estar à beira da formação de um planeta. Decifrar as origens de planetas semelhantes à Terra é fundamental para compreender os primórdios da vida.
Alargando a sua investigação, a equipa observou o disco em diferentes comprimentos de onda, obtendo informações sobre o tamanho e a distribuição da poeira. As descobertas sugerem, de forma intrigante, que as regiões exteriores do disco são o potencial ponto de partida para a formação planetária, desafiando as ideias anteriores de que o disco interior era o ponto de partida primário. Em particular, o plano médio do disco exibia um elevado rácio poeira-gás, sugerindo que o disco está pronto para a formação de planetas.
“O ALMA conseguiu até agora captar uma grande variedade de estruturas de disco e revelou a existência de planetas. Por outro lado, para responder à questão ‘Como é que a formação de planetas começa?’, é importante observar um disco liso sem sinais de formação de planetas. Pensamos que este estudo é muito importante porque revela as condições iniciais para a formação planetária”, comentou o Professor Satoshi Ohashi sobre o significado das observações.
// Observatório ALMA (comunicado de imprensa)
// NAOJ (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (The Astrophysical Journal)
// Artigo científico (arXiv.org)
Saiba mais:
Discos protoplanetários:
Wikipedia
Formação planetária (Wikipedia)
CCVAlg – Astronomia Centro Ciência Viva do Algarve – Astronomia