ALMA finalmente apanha o buraco negro da Via Láctea a “respirar”

Esta composição sobrepõe dados do ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array) e do Observatório de raios X Chandra da NASA. Mostra evidências de um vento que se expande a partir de Sagitário A* (Sgr A*), o buraco negro supermassivo no centro da nossa Galáxia. O ponto branco no centro da imagem mostra Sgr A*. A cor laranja representa os dados dos radiotelescópios ALMA no Chile, que mapeiam a localização do gás frio composto por monóxido de carbono na imagem. A cor azul representa os dados de raios X do Observatório de raios X Chandra da NASA. Uma grande cavidade em forma de cone, visível como uma ausência de gás frio nos dados do ALMA, está preenchida por gás quente emissor de raios X nos dados do Chandra. Os investigadores pensam que um vento quente e energético soprando de Sgr A* criou esta estrutura, varrendo o gás frio ou aquecendo-o.
Crédito: Universidade Northwestern/M. Gorski; raios X – NASA/CXC/SAO; rádio – ESO/NAOJ/NRAO/ALMA

Utilizando o ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array), os astrónomos encontraram finalmente evidências claras de que o buraco negro supermassivo no centro da Via Láctea, Sagitário A* (Sgr A*), está a emitir um vento cósmico quente – algo que os cientistas procuravam há mais de 50 anos. A teoria astronómica diz que, quando um buraco negro se alimenta de gás, também deve “soprar” algum material sob a forma de ventos ou jatos. Até agora, o vento proveniente do buraco negro da nossa própria Galáxia nunca tinha sido visto com clareza. Utilizando vários anos de observações altamente detalhadas do ALMA, os astrónomos mapearam gás frio a apenas alguns anos-luz de Sgr A*. Depois de removerem cuidadosamente o intenso brilho de rádio do buraco negro, descobriram um buraco gigante em forma de cone no gás frio, apontando diretamente para o buraco negro – a marca inconfundível de um vento grande, quente e ativo lançado a partir de Sgr A*.

Com mais de cinco anos de observações do ALMA (realizadas num comprimento de onda de 1,3 milímetros), os astrónomos mapearam a emissão de moléculas de monóxido de carbono (CO), um indicador clássico de gás molecular frio, a apenas cerca de três anos-luz de Sgr A*. Ao modelar e subtrair cuidadosamente a emissão de rádio do próprio buraco negro, que varia rapidamente, conseguiram revelar estruturas extremamente ténues e complexas no gás circundante. Dados do Observatório de raios X Chandra da NASA mostram gás quente a preencher a mesma região, confirmando que se trata de um fluxo impulsionado por um buraco negro e não algo causado por estrelas próximas.

O mapa resultante é cerca de 100 vezes mais sensível e tem uma resolução angular 80 vezes superior à dos mapas de CO anteriores da região, tornando-se o mapa mais sensível e de maior resolução do gás frio num raio de três anos-luz de Sgr A* alguma vez obtido. Esta descoberta baseou-se não só em anos de observações do ALMA, mas também em técnicas inovadoras de processamento de dados para modelar e subtrair a emissão rapidamente variável de Sgr A*, revelando estruturas mais ténues no gás circundante.

A equipa estima que este vento sopre há pelo menos 20.000 anos, mas é relativamente brando em comparação com os jatos dramáticos observados noutras galáxias. Ao revelar este vento há muito procurado, o ALMA (e o Chandra) ajudaram a resolver um mistério com décadas e proporcionaram aos cientistas a visão mais clara até à data de como um buraco negro supermassivo pode tanto alimentar-se como remodelar os seus arredores no coração da nossa Via Láctea.

// Observatório ALMA (comunicado de imprensa)
// Chandra/Harvard (comunicado de imprensa)
// NRAO (comunicado de imprensa)
// Universidade Northwestern (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (The Astrophysical Journal Letters)

Saiba mais:

Sagitário A*:
Wikipedia

Buraco negro supermassivo:
Wikipedia

Centro Galáctico:
Wikipedia

Via Láctea:
Wikipedia
SEDS

ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array):
Página principal
ALMA (NRAO)
ALMA (ESO)

Observatório de raios X Chandra:
NASA
Universidade de Harvard
Wikipedia

Sobre Miguel Montes

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