Uma equipa de astrónomos descobriu um raro par de anãs castanhas que tem a mais ampla separação de qualquer sistema binário de anãs castanhas encontrado até à data.
“Devido ao seu pequeno tamanho, os sistemas binários de anãs castanhas são normalmente muito íntimos,” disse Emma Softich, estudante de astrofísica na Universidade Estatal do Arizona e autora principal do estudo. “Encontrar um par tão amplamente separado é muito excitante.”
A força gravitacional entre um par de anãs castanhas é inferior à de um par de estrelas com a mesma separação, pelo que os binários largos de anãs castanhas são mais suscetíveis de se separarem com o tempo, tornando este par de anãs castanhas um achado excecional.

Crédito: William Pendrill
O estudo, que se baseia em observações do Cool Star Lab da Universidade da Califórnia em San Diego, realizadas com o Observatório W. M. Keck em Maunakea, Hawaii, foi publicado na revista The Astrophysical Journal Letters.
Usando o instrumento NIRES (Near-Infrared Echellette Spectrometer) do Observatório Keck, membros da mesma instituição, incluindo o professor de Física Adam Burgasser e os estudantes Christian Aganze e Dino Hsu, obtiveram espectros infravermelhos do sistema binário, chamado CWISE J014611.20-050850.0AB. Os dados revelaram que as duas anãs castanhas se encontram separadas por cerca de 19,3 mil milhões de quilómetros, ou mais de três vezes a distância de Plutão ao Sol. Esta distância confirma que o invulgar par de anãs castanhas bate o recorde de maior separação entre uma e outra.
“A sensibilidade excecional do Keck no infravermelho com este instrumento foi fundamental para as nossas medições”, disse o coautor Burgasser, que lidera o Cool Star Lab. “A anã castanha secundária é excecionalmente fraca, mas com o Keck conseguimos obter dados espectrais suficientemente bons para classificar ambas as fontes e assim identificá-las como membros de uma classe rara de anãs azuis de classe L”.
“Sistemas largos e de baixa massa como CWISE J014611.20-050850.0AB são normalmente perturbados no início das suas vidas, por isso o facto de este ter sobrevivido até agora é bastante notável,” disse o coautor Adam Schneider do Observatório Naval dos EUA, Estação de Flagstaff e da Universidade George Mason.
As anãs castanhas são objetos celestes mais pequenos do que uma estrela normal. Estes objetos não são massivos o suficiente para sustentar a fusão nuclear e brilharem como estrelas normais, mas são suficientemente quentes para irradiar energia.
O WISE (Wide-field Infrared Survey Explorer) da NASA descobriu muitas anãs castanhas através do projeto de ciência cidadã Backyard Worlds: Planet 9, que solicita ajuda do público para procurar no banco de dados de imagens WISE anãs castanhas e estrelas de baixa massa, algumas das vizinhas mais próximas do Sol.

Crédito: WISE/DES/Softich et al.
Para este estudo, os investigadores analisaram imagens das descobertas do Backyard Worlds, onde as anãs castanhas companheiras podem ter sido ignoradas. Ao fazê-lo, descobriram o raro sistema binário CWISE J014611.20-050850.0AB composto por duas anãs castanhas.
Softich estudou cerca de 3000 anãs castanhas do projeto Backyard Worlds, uma a uma, e comparou as imagens do WISE com imagens de outros levantamentos à procura de evidências de companheiras de anãs castanhas. A equipa então utilizou dados do DES (Dark Energy Survey) para confirmar que se tratava, de facto, de um par de anãs castanhas.
Utilizaram então o NIRES do Observatório Keck para confirmar que as anãs castanhas têm tipos espectrais L4 e L8, e que estão a uma distância estimada de aproximadamente 40 parsecs, ou 130,4 anos-luz da Terra, com uma separação de 129 unidades astronómicas, ou 129 vezes a distância entre o Sol e a Terra.
A equipa espera que esta descoberta dê aos astrónomos a oportunidade de estudar sistemas binários de anãs castanhas e de desenvolver modelos e procedimentos que ajudem a reconhecer mais destes sistemas no futuro.
“Os sistemas binários são utilizados para calibrar muitas relações em astronomia e este par de anãs castanhas recentemente descoberto apresentará um importante teste dos modelos de formação e evolução das anãs castanhas,” disse a coautora Jennifer Patience, orientadora de Softich na Universidade Estatal do Arizona.
// Observatório W. M. Keck (comunicado de imprensa)
// Universidade Estatal do Arizona (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (The Astrophysical Journal Letters)
// Artigo científico (arXiv.org)
Saiba mais:
Anãs castanhas:
Wikipedia
NASA
Andy Lloyd’s Dark Star Theory
Observatório W. M. Keck:
Página principal
Wikipedia
Projeto Backyard Worlds: Planet 9:
Zooniverse
Colaboração DES:
Página principal
Wikipedia
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