O piloto Mike Melvill em cima da SpaceShipOne. Crédito: Scaled Composites

Privatização aeroespacial: promessas e perigos das viagens privadas

Os peritos espaciais estão de acordo que neste momento existe uma séria corrida do sector privado à área dos vôos espaciais tripulados, um sector até agora completamente monopolizado por agências governamentais. Após anos de espera esta indústria parece agora começar a florescer. No entanto, à medida que as viagens se sucedem, também sobressaem agora os riscos associados.

Vôos comerciais de mergulhos parabólicos (simulando gravidade zero) tornaram-se disponíveis este mês. Dia 29 de Setembro, decorreu com sucesso uma missão privada tripulada. E no início desta semana, alguns promotores ofereceram um prémio de 50 milhões de dólares à primeira nave orbital privada que venha a ser construída, prevendo vôos públicos para o espaço a partir de 2007.

No entanto, este caminho não está isento de perigos. No dia 29 de Setembro de 2004, o piloto Melvin (o primeiro astronauta civil) voltou ao espaço pela segunda vez, levando a nave privada SpaceShipOne até uma altura sub-orbital num lançamento presenciado ao vivo por centenas de pessoas e transmitido em directo pela internet. O vôo constituiu o primeiro de dois lançamentos previstos na tentativa de ganhar o prémio Ansari X Prize, de 10 milhões de dólares, um prémio destinado a promover a construção de naves espaciais reutilizáveis. Embora tenha sido bem sucedido, houve temor entre os observadores quando após atingir a altitude máxima a nave começou a rodar inesperadamente dando cerca de 20 voltas antes que o piloto a conseguisse controlar.  Este incidente associado a outro já ocorrido num vôo anterior da SpaceShipOne alertou claramente para os riscos associados a estas missões. Os riscos que estiveram presentes durante toda a Era Espacial têm tendência a aumentar agora com a privatização. Como é óbvio, as empresas privadas estão, em função do lucro, dispostas a correr riscos que as agências governamentais nunca correriam.

Desde que Dennis Tito pagou vários milhões de dólares para um vôo na MIR a ideia do turismo espacial parece ter estagnado. Agora a indústria parece ter sido galvanizada pelos vôos do Ansari X Prize e por quatro anúncios que ocorreram este mês:

  • Vôos parabólicos -O presidente da X Prize Foundation, Peter Diamandis e a sua Zero Gravity Corp. vêm agora oferecer montanhas russas a alta altitude em que são simuladas condições de gravidade zero em aviões modificados. Preços dos bilhetes individuais: 3.000 USD.

  • Turismo Espacial – O empresário britânico Richard Branson vai lançar a nave Virgin Galactic, baseada na tecnologia desenvolvida pelo projecto da SpaceShipOne, tendo planos para enviar 3000 pessoas ao espaço por volta de 2009. Preço do bilhete individual: 208.000 USD.

  • America’s Space Prize – O milionário do Nevada Robert Bigelow criou um prémio de 50 milhões de dólares para a primeira nave de passageiros orbital.

  • Dream Chaser – Investigadores da NASA vão colaborar com a firma SpaceDev para o desenvolvimento de novas tecnologias de propulsores hibridos, que a  SpaceDev espera vir a utilizar numa nave de passageiros reutilizável chamada Dream Chaser.

A grande incógnita de tudo isto pode é até que ponto é que as pessoas estão dispostas a pagar para poder sair do planeta. Ao que parece, em breve não haverá falta de bilhetes para comprar.

Sobre Miguel Montes

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