Astrónomos detetam ondulações sísmicas num antigo disco galáctico

Esquerda: a distribuição de gás; Meio: Os movimentos do gás devido a movimentos sísmicos de pequena escala foram revelados na galáxia BRI 1335-0417, com os padrões de braços em espiral mostrados na linha preta. As partes azuis movem-se na nossa direção, enquanto as vermelhas se afastam de nós; Direita: distribuição e movimentos semelhantes observados numa simulação numérica de formação de ondas sísmicas num disco galáctico. A caixa vermelha mostra um campo de visão semelhante ao da observação.
Crédito: paineis da esquerda e do meio – ALMA (ESO/NAOJ/NRAO), T. Tsukui, et al; painel da direita: Bland-Hawthorn e Tepper-Garcia 2021

Um novo retrato de uma galáxia antiga e longínqua poderá ajudar os cientistas a compreender a sua formação e as origens da nossa Via Láctea. Com mais de 12 mil milhões de anos, BRI 1335-0417 é a galáxia espiral mais antiga e mais distante conhecida no Universo.

O autor principal, Dr. Takafumi Tsukui, afirmou que o ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array) lhes permitiu observar esta antiga galáxia com muito mais pormenor.

“Especificamente, estávamos interessados na forma como o gás se movia para dentro e através da galáxia”, disse o Dr. Tsukui. “O gás é um ingrediente chave para a formação de estrelas e pode dar-nos pistas importantes sobre a forma como uma galáxia está realmente a alimentar a sua formação estelar.”

Neste caso, os investigadores não só conseguiram captar o movimento do gás em torno de BRI 1335-0417, como também revelaram a formação de uma onda sísmica – um facto inédito neste tipo de galáxia primitiva.

O disco da galáxia, uma massa achatada de estrelas, gás e poeira em rotação, move-se de uma forma não muito diferente das ondulações que se espalham num lago depois de se atirar uma pedra.

Estes novos dados significam que agora sabemos mais sobre a forma como a galáxia se formou. “O movimento verticalmente oscilante do disco deve-se a uma fonte externa, ou novo gás que entra na galáxia, ou ao entrar em contacto com outras galáxias mais pequenas”, disse o Dr. Tsukui. “Ambas as possibilidades bombardeariam a galáxia com novo combustível para a formação de estrelas.

A simulação de Bland-Hawthorn e Tepper-Garcia ilustra um disco de galáxia a ser perturbado, levando à propagação de uma ondulação sísmica por todo o disco.
Crédito: Bland-Hawthorn e Tepper-Garcia, Universidade de Sydney

“Além disso, o nosso estudo revelou uma estrutura semelhante a uma barra no disco. As barras galácticas podem romper o gás e transportá-lo para o centro da galáxia. A barra descoberta em BRI 1335-0417 é a estrutura deste género mais distante que se conhece. Em conjunto, estes resultados mostram o crescimento dinâmico de uma galáxia jovem.”

Tendo em conta que BRI 1335-0417 está muito longe, a sua luz demora mais tempo a chegar à Terra. As imagens vistas através de um telescópio nos dias de hoje são um retrocesso aos primeiros tempos da galáxia – quando o Universo tinha apenas 10% da sua idade atual.

“Descobriu-se que as galáxias primitivas formam estrelas a um ritmo muito mais rápido do que as galáxias modernas. Isto é verdade para BRI 1335-0417, que, apesar de ter uma massa semelhante à da nossa Via Láctea, forma estrelas a um ritmo algumas centenas de vezes mais depressa”, disse a professora associada Emily Wisnioski, coautora do estudo.

“Queríamos compreender como é que o gás é fornecido para acompanhar este ritmo acelerado de formação de estrelas. As estruturas em espiral são raras no Universo primitivo, e a forma exata como se formam também permanece desconhecida. Este estudo também nos dá informação crucial sobre os cenários mais prováveis.”

“Embora seja impossível observar diretamente a evolução da galáxia, uma vez que as nossas observações apenas nos dão uma imagem instantânea, as simulações em computador podem ajudar a compor a história.”

O estudo foi publicado na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.

// Universidade Nacional da Austrália (comunicado de imprensa)
// Observatório ALMA (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Monthly Notices of the Royal Astronomical Society)
// Artigo científico (arXiv.org)

Saiba mais:

BRI 1335-0417:
Simbad
Wikipedia

Galáxias espirais:
CCVAlg – Astronomia
Wikipedia

ALMA:
Página principal
ALMA (NRAO)
ALMA (ESO)
Wikipedia

Sobre Miguel Montes

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