Um novo método de “pesar” os discos protoplanetários

Imagem observacional do disco protoplanetário em torno de TW Hydrae, mostrando as distribuições de partículas sólidas (vermelho), monóxido de carbono (azul), e gás denso (branco).
Crédito: T. Yoshida, T. Tsukagoshi et al. – ALMA (ESO/NAOJ/NRAO)

Os astrónomos encontraram uma forma de medir diretamente a quantidade de gás nos discos protoplanetários sem fazer suposições sobre as quantidades relativas de diferentes tipos de gases, tornando este método mais preciso e robusto do que os métodos anteriores.

Os planetas formam-se nos discos protoplanetários de gás e poeira que rodeiam estrelas jovens. Os cientistas estudam os discos protoplanetários através da observação dos seus espectros, os comprimentos de onda, no rádio, emitidos pelos componentes do disco. O hidrogénio gasoso é o principal constituinte dos discos protoplanetários, mas não é fácil de medir diretamente porque não emite ondas de rádio de forma eficiente. O monóxido de carbono é muitas vezes utilizado como um substituto. Ainda assim, a proporção hidrogénio/monóxido de carbono pode diferir dependendo do ambiente, levando a incertezas significativas nas estimativas da massa total.

Uma equipa liderada por Tomohiro Yoshida, estudante na Universidade para Estudos Avançados no Japão procurou, nos dados de arquivo do ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array), observações do disco protoplanetário mais próximo em torno da estrela TW Hydrae. A partir daqui, produziram uma imagem rádio 15 vezes mais sensível do que os estudos anteriores, permitindo-lhes examinar os comprimentos de onda das linhas espectrais e as suas formas.

A partir da forma das linhas de monóxido de carbono, a equipa pôde medir a pressão do gás perto do centro do disco. Esta pressão revela a massa total de gás perto do centro sem fazer suposições sobre a relação hidrogénio/monóxido de carbono. A equipa descobriu que apesar de estar perto do fim do processo de formação planetária, ainda existe gás suficiente na região interior do sistema TW Hydrae para produzir um planeta do tamanho de Júpiter.

Yoshida, o autor principal deste estudo, afirma: “Gostaríamos de aplicar esta nova técnica a outros discos e investigar a quantidade de gás em discos de formação planetária com várias características e em várias idades para clarificar o processo de dissipação de gás e o processo de formação de sistemas planetários”.

// Observatório ALMA (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (The Astrophysical Journal Letters)
// Artigo científico (arXiv.org)

Saiba mais:

Discos protoplanetários:
Wikipedia
Formação planetária (Wikipedia)

ALMA:
Página principal
ALMA (NRAO)
ALMA (NAOJ)
ALMA (ESO)
Wikipedia

Sobre Miguel Montes

Veja também

Hubble encontra pistas de um planeta de segunda geração

Dados de arquivo do Hubble revelaram indícios de um possível planeta de segunda geração no sistema da anã branca HS 0209+0832. A elevada abundância de nióbio sugere que o planeta se formou a partir de material expelido pela estrela durante a sua morte, em vez de ter nascido com ela, oferecendo pistas sobre uma possível segunda geração de sistemas planetários.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *