Pode ter sido descoberto um segundo exoplaneta em torno de Proxima Centauri

Impressão de artista do sistema planetário em torno de Proxima Centauri.
Crédito: Lorenzo Santinelli

Cientistas descobriram o que pensam ser um segundo planeta em órbita da estrela mais próxima do nosso Sistema Solar, Proxima Centauri, que ficou famosa em 2016 com a descoberta de um planeta “semelhante à Terra” em órbita, Proxima b.

Novas observações de Proxima Centauri tornaram possível revelar a presença do que está a ser descrito como um planeta candidato de baixa massa (pelo menos 5,8 vezes a massa da Terra), aproximadamente com metade do tamanho de Neptuno, em órbita da estrela. Poderá ser uma super-Terra rochosa ou um “mini-Neptuno” gasoso. Com uma órbita de 5,2 anos, provavelmente tem temperaturas na ordem dos -230º C, sendo demasiado frio para ser habitável.

A descoberta, publicada na revista Science Advances, foi feita por uma equipa internacional de investigadores da Universidade de Hertfordshire, Inglaterra, do INAF-Observatório Astrofísico de Turim, Itália, da Universidade de Creta e do Instituto de Astrofísica FORTH, Grécia.

Proxima Centauri é uma estrela anã vermelha cerca de 8 vezes mais pequena que o Sol. É a estrela mais próxima do Sistema Solar, a uma distância de 4,2 anos-luz. Os cientistas esperam que a descoberta possa eventualmente ajudar a nossa compreensão da composição de diferentes planetas e de como o Universo funciona.

Hugh Jones, professor de astrofísica na Universidade de Hertfordshire, comenta: “Graças à proximidade do planeta e à sua órbita a uma distância relativamente grande da sua estrela (1,5 UA), esta é uma das melhores chances possíveis de observação direta que permitirá a compreensão detalhada de outro exoplaneta. No futuro, Proxima c poderá tornar-se um possível alvo para um estudo mais direto do projeto Breakthrough StarShot, que será a primeira tentativa da humanidade de viajar para outro sistema estelar.” O professor Jones, juntamente com Paul Bulter, da Instituição Carnegie para Ciência, foram responsáveis por produzir o conjunto de dados mais precisos para o projeto usando dados do espectrógrafo UVES acoplado ao VLT do ESO.

O professor Jones, que também fez parte da descoberta do planeta “tipo-Terra”, Proxima b, explicou o processo: “Primeiro submetemos um artigo sobre a existência de Proxima b em fevereiro de 2013, embora só tenhamos obtido evidências suficientes para apoiar conclusivamente uma descoberta tão importante em 2016. As nossas observações contínuas e um melhor processamento de dados permitiram-nos discernir o sinal de Proxima c. Esperamos ansiosamente confirmar o sinal com novas instalações e descobrir quão semelhante ou diferente dos planetas do nosso Sistema Solar Proxima c realmente é.”

A descoberta segue os recentes anúncios de um “Neptuno frio” e de dois planetas potencialmente habitáveis encontrados em órbita de estrelas próximas, publicados na revista The Astrophysical Journal. A mesma técnica de espectrografia com o UVES também foi usada neste projeto.

// Universidade de Hertfordshire (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Science Advances)

Saiba mais:

Notícias relacionadas:
MIT Technology Review
Astronomy
Sky & Telescope
SPACE.com
Scientific American
Universe Today
PHYSORG
ScienceNews
Inverse
Discover
science alert
Newsweek
Forbes
The Conversation
CNN
Notícias ao Minuto
Rádio Comercial
tvi24
ZAP.aeiou

Proxima c:
Exoplanet.eu

Proxima b:
Exoplanet.eu
Wikipedia

Exoplanetas:
Wikipedia
Lista de planetas (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
PlanetQuest
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares

Proxima Centauri:
Wikipedia

Anãs vermelhas:
Wikipedia

VLT:
ESO
Wikipedia

ESO:
Página oficial
Wikipedia

Breakthrough Starshot:
Página principal
Wikipedia

Sobre Miguel Montes

Veja também

Chandra e Webb “ligam” os pequenos pontos vermelhos

Os astrónomos combinaram dados dos telescópios espaciais Chandra e James Webb para estudar os misteriosos "pequenos pontos vermelhos", objetos muito distantes no Universo primitivo. A deteção de raios X num deles, o que não acontece nos outros, sugere que são buracos negros supermassivos em crescimento, numa fase inicial envolta em gás denso.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *