A localização do gás impulsiona a formação estelar em galáxias distantes

A cor vermelha mostra o conteúdo de gás hidrogénio atómico da galáxia sobreposto à imagem ótica. Crédito: Legacy Surveys/D. Lang (Instituto Perimeter)/T. Westmeier – ICRAR

Os astrónomos descobriram que não é a quantidade de gás que uma galáxia tem, mas onde esse gás está localizado, que determina a formação de novas estrelas.

Os investigadores do ICRAR (International Centre for Radio Astronomy Research) fizeram esta descoberta sobre as galáxias estudando a distribuição do gás que ajuda a criar estrelas.

Utilizando o radiotelescópio ASKAP (Australian Square Kilometre Array Pathfinder) da CSIRO (Commonwealth Scientific and Industrial Research Organisation), situado em Inyarrimanha Ilgari Bundara, Austrália Ocidental, os investigadores exploraram a distribuição de gás em cerca de 1000 galáxias no âmbito do levantamento WALLABY (Widefield ASKAP L-band Legacy All-sky Blind surveY).

A autora principal, Seona Lee, estudante de doutoramento na Universidade da Austrália Ocidental, disse que as descobertas dão novas perspetivas sobre a forma como as estrelas nascem do gás.

Enquanto os estudos anteriores só conseguiam mapear a distribuição do gás em algumas centenas de galáxias, o levantamento WALLABY conseguiu mapear o gás hidrogénio atómico numa amostra significativamente maior de galáxias.

O levantamento revelou que a existência de mais gás numa galáxia não significa automaticamente que esta criará mais estrelas. Ao invés, as galáxias que estão a formar estrelas têm normalmente uma maior concentração de gás nas áreas onde residem as estrelas.

“Foi muito excitante ver uma correlação entre a formação de estrelas e a localização do gás hidrogénio atómico”, disse Lee.

As observações de alta resolução de telescópios como o ASKAP, pertencente e operado pela CSIRO, permitiram a Lee medir a localização e a densidade do gás atómico num número sem precedentes de galáxias.

O radiotelescópio ASKAP (Australian Square Kilometre Array Pathfinder) da CSIRO (Commonwealth Scientific and Industrial Research Organisation), situado em Inyarrimanha Ilgari Bundara, Austrália Ocidental.
Crédito: CSIRO

A professora Barbara Catinella, que colidera o levantamento WALLABY, disse que o gás hidrogénio atómico é o ingrediente essencial para fazer estrelas, da mesma forma que a farinha é para um bolo.

“Embora bolos diferentes exijam quantidades diferentes de farinha, para fazer um bolo corretamente, concentramo-nos na farinha que está na tigela e não na farinha não utilizada que ficou no pacote”, disse a professora Catinella.

“Do mesmo modo, para compreender como as estrelas se formam é necessário medir o gás atómico onde as estrelas se estão realmente a formar, em vez de considerar o conteúdo total de gás, que inclui o gás não utilizado nas regiões exteriores”.

A investigação mostrou que a capacidade de efetuar observações de rádio mais detalhadas é fundamental para ajudar os cientistas a compreender como as galáxias crescem e mudam ao longo do tempo. A equipa analisou as ondas de rádio e a luz visível de galáxias próximas para determinar a quantidade de gás nas partes da galáxia onde as estrelas estão a nascer.

“Para saber como as estrelas se formam, tivemos de medir o gás hidrogénio atómico nas zonas onde as estrelas estão a nascer ativamente”, disse Lee.

“Isto é importante para descobrir a quantidade de gás que está realmente a apoiar a criação de novas estrelas”.

Este estudo foi publicado na revista PASA (Publications of the Astronomical Society of Australia).

// ICRAR (comunicado de imprensa)
// Universidade da Austrália Ocidental (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (PASA)

Saiba mais:

Formação estelar:
Wikipedia

ASKAP (Australian Square Kilometre Array Pathfinder):
CSIRO
Wikipedia

Levantamento WALLABY (Widefield ASKAP L-band Legacy All-sky Blind surveY):
Página principal
X/Twitter

Sobre Miguel Montes

Veja também

Missão TESS revela os planetas mais “inchados” já descobertos

A missão TESS da NASA descobriu os dois exoplanetas mais “fofos” alguma vez observados: TOI-791 b e TOI-791 c. Apesar de terem dimensões semelhantes às de Júpiter, são tão pouco densos que são mais leves do que algodão doce. Este raro par de "superinchados" poderá ajudar os astrónomos a compreender como os gigantes gasosos se formam e evoluem.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *