ALMA e VLA revelam a história do nascimento de estrelas num deslumbrante jato cósmico

Uma vista “tomográfica”, pelo ALMA, revelando como o jato protoestelar supersónico de SVS 13 interage com o meio ambiente circundante. No fundo, uma imagem do Telescópio Espacial Hubble mostra a cavidade esculpida pelo fluxo, juntamente com os impressionantes nós de Herbig-Haro visíveis em comprimentos de onda óticos. A caixa na imagem do Hubble indica a região mostrada nas imagens do ALMA. A cor dos fotogramas nestas imagens indica a velocidade, que varia entre 35 km/s (vermelho) e 97 km/s (azul).
Crédito: G. Blázquez-Calero, M. Osorio, G. Anglada; imagem de fundo – ESA/Hubble e NASA/Karl Stapelfeldt

Uma equipa internacional de astrónomos descobriu a evidência mais inequívoca de que os poderosos jatos lançados por estrelas recém-nascidas registam de forma fiável os mais violentos episódios de crescimento de uma estrela, confirmando um modelo de longa data sobre a forma como estes jatos se propagam através do seu ambiente.

As primeiras observações com o VLA (Very Large Array) da NSF (National Science Foundation) dos EUA identificaram SVS 13 como um notável sistema protoestelar binário que conduz uma cadeia de “balas moleculares” de alta velocidade e choques Herbig-Haro na região de formação estelar NGC 1333, a cerca de 1000 anos-luz da Terra. Essas imagens contínuas do VLA identificaram as duas protoestrelas no rádio, VLA 4A e VLA 4B. Revelaram o fluxo em grande escala, o que fez deste sistema um alvo privilegiado para uma investigação mais profunda sobre a forma como as estrelas jovens lançam e colimam jatos. Este trabalho do VLA, que durou décadas, permitiu a identificação da protoestrela que alimenta o jato, agora visto com um detalhe sem precedentes.

Com base nesse legado, novas observações com o ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array) fizeram zoom na “bala” de alta velocidade mais brilhante do fluxo SVS 13. Revelaram uma sequência impressionante de anéis moleculares aninhados. À medida que a velocidade observada muda, cada anel encolhe suavemente e muda de posição, traçando conchas ultrafinas, em forma de arco, com apenas algumas dezenas de unidades astronómicas de espessura e movendo-se a velocidades de até cerca de 100 quilómetros por segundo. Esta visão tomográfica funciona como uma TAC médica, permitindo aos astrónomos reconstruir a forma como o jato abre caminho através do gás circundante.

“As nossas observações mostram que estes jatos não são apenas efeitos secundários dramáticos do nascimento de uma estrela – são também fiéis guardiões de registos”, disse Guillermo Blázquez-Calero, coautor do estudo e investigador do IAC (Instituto de Astrofísica de Andalucía). “Cada sequência de anéis no jato tem uma marca temporal de um surto passado, permitindo-nos ler a história de como o material caiu sobre a jovem estrela e foi depois violentamente ejetado de volta para o seu ambiente”.

Ao ajustar mais de 400 anéis individuais, a equipa demonstrou que cada concha corresponde a um choque em arco de conservação de momento, conduzido por um jato estreito cuja velocidade muda com o tempo. A idade da concha mais jovem está alinhada com um poderoso surto ótico e infravermelho de SVS 13 VLA 4B no início da década de 1990, fornecendo a primeira ligação direta entre surtos de material que cai sobre uma estrela jovem e mudanças na velocidade do seu jato.

Estes resultados mostram que os jatos protoestelares preservam um registo temporal de erupções passadas, oferecendo uma nova perspetiva sobre a forma como as explosões episódicas moldam os discos que eventualmente dão origem a planetas como a Terra.

// Observatório ALMA (comunicado de imprensa)
// NRAO (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Nature Astronomy)
// Artigo científico (arXiv)

Saiba mais:

Formação estelar:
Wikipedia

NGC 1333:
Wikipedia

ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array):
Página principal
ALMA (NRAO)
ALMA (ESO)
Wikipedia

VLA (Karl G. Jansky Very Large Array):
Página principal
NRAO
Wikipedia

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