De acordo com a Agência Espacial Europeia, duas crateras que se “beijam”, reveladas numa nova imagem de Marte, mostram evidências de actividade glacial passada.
O par em forma de ampulheta foi descoberto no limite Este da Bacia Hellas – aproximadamente 38º Sul de latitude e 104º Este.
As crateras de impacto situam-se perto de uma montanha e os cientistas suspeitam que um glaciar se acumulou na suas bases a uma altura do passado. Se assim for, o gelo no início correu para a cratera mais pequena acima, que mede cerca de 9 km em diâmetro.
O glaciar depois continuou o seu percurso descendo até à cratera mais abaixo, que tem cerca de 17 km de diâmetro. As riscas nas crateras provavelmente indicam a direcção do fluxo glacial de uma cratera para a outra.
“Existem muitas características semelhantes a estas em Marte, embora esta seja certamente uma das maiores e mais dramáticas,” diz John Mustard, um geólogo da Universidade Brown, em Rhode Island, EUA.
As características geológicas deste género no Planeta Vermelho têm sido atribuídas a gelo ou a glaciares desde os anos 70.
“Acredito que estas e outras provas sejam extremamente convincentes, no sentido de mostrar que os glaciares existem provavelmente em Marte,” diz Mustard. “Estarão activos ainda hoje? Bem, isso é outra história, mas certamente o eram num passado geológico recente.”
A imagem foi tirada pela Câmara de Alta Resolução Estéreo a bordo da sonda europeia Mars Express.
CCVAlg – Astronomia Centro Ciência Viva do Algarve – Astronomia