Impressão de artista de EF Erídano, como pode parecer hoje, dado que a maioria da radiação emitida pelo sistema está na parte infravermelha do espectro e não visível a olho humano. Crédito: John Lomberg, Observatórios Gemini

Estranho resto estelar

Segundo a Sociedade Americana de Observadores de Estrelas Variáveis, enterrada na constelação de Erídano está uma anã branca de magnitude 17 que ocasionalmente sobe até 14.5. EF Eridani é uma variável cataclísmica: uma pequena estrela binária com erupções despoletadas pela queda de gás sob a superfície, gás este oriundo da sua companheira. Os cientistas dizem que este sistema em particular parece ser um caso raro onde a companheira foi quase totalmente “comida”, deixando apenas um ténue núcleo com uma massa subestelar – qualquer coisa parecida a uma anã castanha quase gasta. EF Eridani tem permanecido no seu estado “fraco”, entre explosões, desde 1997. Aparentemente a anã branca está recebendo apenas uma pequena quantidade de gás da sua parceira. Thomas Harrison (Universidade Estatal do Novo México) e cinco colegas recentemente usaram o gigante Keck II e os telescópios Gemini North para resolver o espectro infravermelho do sistema, esperando encontrar sinais da misteriosa companheira. Por pouco não conseguiam.

A maioria da emissão de infravermelhos do sistema é radiação de ciclotrões vinda dos electrões que espiralam até aos pólos magnéticos da anã branca, que tem um campo magnético 14 milhões de vezes mais forte que o do Sol. Quase escondida por esta emissão estão uns quantos sinais espectrais, indicando radiação do ténue objecto. Parece ser uma anã castanha fria (1,700º Kelvin) com cerca de 50 massas de Júpiter e uma estranha composição, sugestiva de material de um velho núcleo estelar rico em nitrogénio e sem carbono e oxigénio.

Há muito tempo atrás, a companheira era provavelmente uma estrela normal que começou a ultrapassar o seu domínio gravitacional no binário e a “derramar” um jacto de matéria na anã branca, matéria esta que foi ejectada através de uma série de novas. Agora o sistema quase chegou ao fim da sua vida – quando o dador diminui até à massa subestelar, pára de gerar o calor necessário para a transferência de massa, e acaba por ficar numa órbita pequena e rápida à medida que arrefece.

 

Sobre Miguel Montes

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