Um sistema solar em construção? Encontrados dois planetas a formarem-se num disco em torno duma estrela jovem

Estas imagens, capturadas pelo VLT (Very Large Telescope) do ESO, mostram um sistema planetário a formar-se em torno da estrela jovem WISPIT 2. A estrela encontra-se rodeada por um disco de gás e poeira – a matéria prima a partir da qual os planetas se formam e evoluem. Em 2025, uma equipa de astrónomos detetou um planeta jovem, WISPIT 2b, a abrir um espaço no disco em torno da estrela. Agora, esta mesma equipa confirmou a presença dum segundo planeta, WISPIT 2c, a orbitar ainda mais perto da estrela, como se pode ver na imagem sobreposta.
Ambos os planetas são gigantes gasosos, semelhantes a Júpiter. WISPIT 2b tem quase cinco vezes a massa de Júpiter e orbita a estrela a uma distância 60 vezes maior do que a que separa a Terra do Sol. WISPIT 2c tem o dobro da massa do WISPIT 2b e orbita a estrela a uma distância quatro vezes mais pequena do que este.
As imagens aqui apresentadas foram capturadas com o instrumento SPHERE montado no VLT. O SPHERE consegue corrigir a desfocagem causada pela turbulência atmosférica, bem como bloquear a luz da estrela central, revelando assim o disco ténue e os planetas com grande detalhe. Um instrumento diferente, o GRAVITY+ montado no VLTI (Very Large Telescope Interferometer), também foi utilizado para ajudar a confirmar a natureza planetária do novo objeto agora observado.
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Crédito: ESO/C. Lawlor, R. F. van Capelleveen et al.

Os astrónomos observaram a formação de dois planetas no disco em torno da estrela jovem WISPIT 2. Tendo já sido detetado anteriormente um planeta em torno desta estrela, a equipa recorreu agora aos telescópios do ESO para confirmar a presença dum outro. Estas observações, juntamente com a estrutura única do disco em torno desta estrela, indicam que o sistema WISPIT 2 poderá assemelhar-se ao nosso Sistema Solar quando este era jovem.

“O WISPIT 2 é a melhor vista que temos, até agora, do nosso próprio passado”, afirma Chloe Lawlor, aluna de doutoramento na Universidade de Galway, na Irlanda, e autora principal do estudo publicado na revista da especialidade The Astrophysical Journal Letters.

Este sistema é apenas o segundo conhecido, depois de PDS 70, em que dois planetas foram observados diretamente a formarem-se em torno da sua estrela progenitora. Ao contrário de PDS 70, porém, WISPIT 2 possui um disco de formação planetária bastante grande, com espaços vazios e anéis muito distintos. “Estas estruturas sugerem que temos atualmente mais planetas a formarem-se neste disco, os quais certamente detetaremos também, mais cedo ou mais tarde”, explica Lawlor.

“O WISPIT 2 proporciona-nos um laboratório perfeito para observar não apenas a formação de um planeta individual, mas também a de um sistema planetário completo”, diz Christian Ginski, coautor do estudo e investigador na Universidade de Galway. Com estas observações, os astrónomos procuram compreender melhor como é que os sistemas planetários bebés evoluem para se tornarem sistemas como o nosso Sistema Solar.

O primeiro planeta recém-formado descoberto neste sistema – denominado WISPIT 2b – foi detetado o ano passado. Este objeto possui uma massa quase cinco vezes superior à de Júpiter e orbita a estrela central a uma distância equivalente a aproximadamente 60 vezes a distância entre a Terra e o Sol. “A deteção dum novo mundo em formação demonstrou verdadeiramente o enorme potencial dos nossos atuais instrumentos”, afirma Richelle van Capelleveen, estudante de doutoramento no Observatório de Leiden, nos Países Baixos, e líder do estudo que descobriu WISPIT 2b. Agora, e depois de ter sido identificado mais um objeto perto da estrela, medições realizadas com o VLT (Very Large Telescope) do ESO e o VLTI (Very Large Telescope Interferometer) confirmaram que este objeto era, de facto, outro planeta, WISPIT 2c. O novo planeta encontra-se quatro vezes mais perto da estrela central e tem o dobro da massa de WISPIT 2b. Ambos são gigantes gasosos, tal como os planetas exteriores do nosso Sistema Solar.

Para confirmar a existência de WISPIT 2c, a equipa utilizou o instrumento SPHERE do VLT do ESO, que capturou uma imagem do objeto. A equipa recorreu seguidamente ao instrumento GRAVITY+ do VLTI para confirmar que o objeto era, de facto, um planeta. “O nosso estudo utilizou a recente atualização GRAVITY+, sem a qual não teríamos conseguido obter uma deteção tão clara dum planeta tão próximo da sua estrela”, afirma Guillaume Bourdarot, coautor do estudo e investigador no Instituto Max Planck de Física Extraterrestre, em Garching, na Alemanha.

Ambos os planetas de WISPIT 2 surgem em espaços abertos bem definidos no disco de gás e poeira que orbita esta estrela jovem. Estes espaços no disco resultam do desenvolvimento de cada planeta: as partículas no disco coalescem e a sua gravidade atrai mais material até se formar um planeta embrionário, o chamado protoplaneta. O material que sobra, em volta de cada espaço, dá origem a anéis de poeira bem característicos destes discos.

Para além dos dois espaços vazios onde os dois planetas foram encontrados, existe pelo menos mais um, mais pequeno e mais afastado, no disco de WISPIT 2. “Suspeitamos que exista um terceiro planeta em formação neste espaço”, explica Lawlor, “possivelmente com a massa de Saturno, dado que o espaço é mais estreito e menos profundo”. A equipa está ansiosa por realizar observações de seguimento. “Com o futuro ELT (Extremely Large Telescope) do ESO, poderemos provavelmente obter imagens diretas de tal planeta”, diz Ginski.

// ESO (comunicado de imprensa)
// Universidade de Galway (comunicado de imprensa)
// Universidade de Leiden (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (The Astrophysical Journal Letters)

Saiba mais:

WISPIT 2:
Wikipedia
WISPIT 2b (Exoplanet.eu)
WISPIT 2c (Exoplanet.eu)

Exoplanetas:
Wikipedia
Lista de planetas (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de exoplanetas mais próximos (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Lista de exoplanetas candidatos a albergar água líquida (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
NASA
Exoplanet.eu

VLT (Very Large Telescope):
ESO
Wikipedia
SPHERE (ESO)
VLTI (ESO)
GRAVITY+ (ESO)

ESO:
Página oficial
Wikipedia

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