Três novas sondas para mapear a influência do Sol no espaço

À esquerda, o Observatório Carruthers, no centro a sonda IMAP (Interstellar Mapping and Acceleration Probe) e à direita a SWFO-L1 (Space Weather Follow On-Lagrange 1) da NOAA.
Crédito: NASA

A NASA e a NOAA (National Oceanic and Atmospheric Administration) lançaram, na passada quarta-feira, três novas missões para investigar a influência do Sol em todo o Sistema Solar.

Às 12:30 (hora portuguesa), um foguetão Falcon 9 da SpaceX descolou do Complexo de Lançamento 39A no Centro Espacial Kennedy da NASA, no estado americano da Flórida, transportando a sonda IMAP (Interstellar Mapping and Acceleration Probe), o Observatório Carruthers e a nave espacial SWFO-L1 (Space Weather Follow On-Lagrange 1) da NOAA.

“Este lançamento bem-sucedido aumenta a prontidão da nossa nação para melhor proteger os nossos satélites, as missões interplanetárias e os astronautas dos perigos do clima espacial em todo o Sistema Solar”, disse o administrador interino da NASA, Sean Duffy. “Esta visão será fundamental à medida que nos preparamos para futuras missões à Lua e a Marte, no nosso esforço para manter a América em primeiro lugar no espaço”.

Estas missões ajudarão a salvaguardar tanto a tecnologia terrestre como os exploradores espaciais, humanos e robóticos, das conhecidas condições adversas do clima espacial.

“À medida que os Estados Unidos se preparam para enviar seres humanos de volta à Lua e depois para Marte, a NASA e a NOAA estão a fornecer o derradeiro guia interplanetário de sobrevivência para apoiar a viagem épica da humanidade ao longo do caminho”, disse Nicola Fox, administrador associado do Diretorado de Missões Científicas na sede da NASA em Washington. “As nossas descobertas científicas e inovações técnicas contribuem diretamente para o nosso roteiro ‘saber antes de partir’, a fim de garantir uma presença humana preparada, segura e sustentada noutros mundos”.

Nova ciência para proteger a sociedade

Cada missão irá investigar diferentes efeitos do clima espacial e do vento solar, que é um fluxo contínuo de partículas emitidas pelo Sol, desde as suas origens no Sol até ao espaço interestelar.

“Estas três missões únicas vão ajudar-nos a conhecer melhor do que nunca o nosso Sol e os seus efeitos na Terra”, disse Joe Westlake, diretor da Divisão de Heliofísica na sede da NASA. “Este conhecimento é fundamental porque a atividade do Sol tem um impacto direto na nossa vida quotidiana, desde as redes elétricas ao GPS. Estas missões ajudar-nos-ão a garantir a segurança e a resiliência do nosso mundo tão interligado”.

A missão IMAP irá cartografar os limites da heliosfera, uma bolha insuflada pelo vento solar que protege o nosso Sistema Solar dos raios cósmicos galácticos – uma proteção fundamental que ajuda a tornar o nosso planeta habitável. Para além disso, a sonda irá “saborear” e medir as partículas do vento solar que saem do Sol, bem como as partículas energéticas oriundas da fronteira do nosso Sistema Solar e mais além.

“O IMAP ajudar-nos-á a compreender melhor como o ambiente espacial nos pode prejudicar a nós e às nossas tecnologias, e a descobrir a ciência da nossa vizinhança solar”, disse David McComas, investigador principal da missão IMAP na Universidade de Princeton, em New Jersey.

O Observatório Carruthers é a primeira missão dedicada ao registo das alterações na camada mais externa da nossa atmosfera, a exosfera, que desempenha um papel importante na resposta da Terra ao clima espacial. Ao estudar a geocoroa – o brilho ultravioleta emitido pela exosfera quando a luz solar incide sobre ela – a missão Carruthers irá revelar como a exosfera responde às tempestades solares e como muda com as estações do ano. A missão baseia-se no legado do primeiro instrumento a observar a geocoroa, que viajou até à Lua a bordo da Apollo 16 e que foi construído e concebido pelo cientista, inventor, engenheiro e educador Dr. George Carruthers.

“A missão Carruthers mostrar-nos-á como a exosfera funciona e ajudará a melhorar a nossa capacidade de prever os impactos da atividade solar aqui na Terra”, disse Lara Waldrop, investigadora principal da missão na Universidade de Illinois em Urbana-Champaign.

O primeiro do seu género, o SWFO-L1 da NOAA foi concebido para ser um observatório do clima espacial que opera a tempo inteiro. Ao manter-se atento à atividade do Sol e às condições espaciais perto da Terra 24 horas por dia, 7 dias por semana, sem interrupções ou obstruções, o SWFO-L1 fornecerá previsões do clima espacial mais rápidas e precisas do que nunca.

“Este é o primeiro de uma nova geração de observatórios do clima espacial da NOAA dedicados a operações 24 horas por dia, 7 dias por semana, trabalhando para evitar falhas na continuidade. As observações em tempo real do SWFO-L1 darão aos operadores os dados necessários para emitir avisos antecipados, para que os decisores possam tomar medidas rápidas e assim proteger infraestruturas vitais, os interesses económicos e a segurança nacional na Terra e no espaço. Trata-se de salvaguardar a sociedade contra os riscos do clima espacial”, afirmou Richard Ullman, diretor-adjunto do Gabinete de Observações do Clima Espacial da NOAA.

Os próximos passos

Nas horas que se seguiram ao lançamento, as três naves espaciais desprenderam-se com sucesso do foguetão e enviaram sinais para a Terra para confirmar que estavam ativas e a funcionar bem.

Ao longo dos próximos meses, as naves espaciais vão dirigir-se para o seu destino – um local entre a Terra e o Sol, a cerca de um milhão de quilómetros da Terra, chamado ponto de Lagrange 1 (L1). Deverão chegar em janeiro e, uma vez concluídas as verificações e calibrações dos instrumentos, darão início às suas missões para melhor compreender o clima espacial e proteger a humanidade.

// NASA (comunicado de imprensa)

Saiba mais:

IMAP (Interstellar Mapping and Acceleration Probe):
NASA
Universidade de Princeton
Wikipedia

Observatório Carruthers:
NASA
Wikipedia

SWFO-L1 (Space Weather Follow On-Lagrange 1):
NOAA
Wikipedia

Clima espacial:
Wikipedia

Heliosfera:
Wikipedia

Geocoroa:
Wikipedia

Exosfera:Wikipedia

Espaço interestelar:
Wikipedia

Sobre Miguel Montes

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