Lançamento da missão Proba-3

Ilustração da separação das naves da missão Proba-3 do veículo de lançamento PSLV-XL fornecido pela agência espacial indiana. Crédito: ESA – P. Carril

A missão Proba-3 (Project for On-Board Autonomy 3) da ESA foi lançada às 10:34 (hora portuguesa) de ontem, a partir do Centro Espacial Satish Dhawan em Sriharikota, India, e a bordo de um foguetão PSLV-XL da ISRO (Indian Space Research Organisation). Consiste de duas naves espaciais, de momento ainda acopladas uma à outra e que, depois do Ano Novo, separar-se-ão para começar a voar em formação com uma precisão milimétrica a uma distância de 150 metros entre si.

Qual o objetivo desta missão com participação portuguesa? Criar eclipses solares totais de modo artificial. Cada um tendo a duração aproximada de seis horas, a Proba-3 será capaz de ver a ténue atmosfera do Sol, a coroa, na região difícil de observar entre a orla do Sol e até 1,4 milhões de quilómetros da sua superfície.

Ao bloquear o escaldante disco solar, a nave ‘Occulter’ da missão Proba-3 imitará um eclipse solar total terrestre. Já a nave ‘Coronagraph’ aloja os instrumentos de observação.

Esta nova tecnologia de voo em formação, combinada com a órbita alargada e única do par de satélites em torno da Terra, permitirá à Proba-3 fazer ciência importante, revelando segredos do Sol, do clima espacial e das cinturas de radiação da Terra.

Os dois satélites da missão Proba-3 terão uma órbita altamente elíptica com um apogeu de cerca de 60.000 km e um perigeu de 600 km.
Crédito: ESA – P. Carril, 2013

Na Terra, os eclipses solares totais ocorrem apenas de 18 em 18 meses, em média, e duram apenas alguns minutos. Os cientistas solares têm de viajar por todo o mundo para tirar partido dos eventos. A Proba-3 será capaz de criar eclipses solares a pedido, observando mais perto da orla do Sol do que qualquer outro instrumento anterior baseado na Terra ou no espaço, até apenas 1,1 raios solares. E fá-lo-á durante seis horas por cada órbita de 19 horas e 36 minutos.

A missão Proba-3 também irá efetuar experiências gerais de voo em formação, incluindo o encontro, o redimensionamento da distância entre o par e o redireccionamento conjunto. O objetivo é atingir um desempenho equivalente ao de uma única nave espacial virtual com cerca de 150 m de diâmetro, demonstrando um novo método de operação de missões no espaço, em que os instrumentos podem ser partilhados entre várias plataformas.

A fase de comissionamento será de quatro meses, após a qual a ESA começará a obter resultados científicos. A missão terá uma duração esperada de dois anos.

// ESA (comunicado de imprensa)

Saiba mais:

Proba-3 (Project for On-Board Autonomy 3):
ESA
ESA – 2
Kit para os media (PDF)
Wikipedia

Sol:
Wikipedia
Tempestades solares e clima espacial – FAQ (NASA)
Coroa solar (Wikipedia)

Sobre Miguel Montes

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