Rover Curiosity captura um dia marciano, do amanhecer ao anoitecer

Enquanto estacionário ao longo de duas semanas, durante a conjunção solar de Marte, em novembro de 2023, o rover Curiosity da NASA utilizou as suas Hazcams dianteira e traseira a preto e branco para captar 12 horas de um dia marciano. A sombra do rover é visível na superfície nestas imagens captadas pela câmara Hazcam frontal.
Crédito: NASA/JPL-Caltech

Quando o rover Curiosity Mars da NASA não está em movimento, funciona muito bem como relógio de sol, como se pode ver em dois vídeos a preto e branco gravados a 8 de novembro, o 4002.º dia marciano, ou sol, da missão. O rover captou a sua própria sombra a deslocar-se pela superfície de Marte, utilizando as suas Hazcams (Hazard-Avoidance Cameras) a preto e branco.

As instruções para gravar os vídeos faziam parte do último conjunto de comandos transmitidos ao Curiosity pouco antes do início da conjunção solar de Marte, um período em que o Sol está entre a Terra e Marte. Dado que o plasma do Sol pode interferir com as comunicações via rádio, as missões suspendem o envio de comandos para as naves espaciais de Marte por várias semanas durante este período (as missões não ficaram totalmente fora de contacto: continuaram a enviar por rádio, durante a conjunção, informações regulares sobre o seu estado de saúde).

Os condutores do rover confiam normalmente nas Hazcams do Curiosity para detetar rochas, declives e outros perigos que possam ser arriscados de percorrer. Mas como as outras atividades do rover foram intencionalmente reduzidas pouco antes da conjunção, a equipa decidiu usar as Hazcams para gravar pela primeira vez 12 horas de imagens, na esperança de captar nuvens ou diabos de poeira que pudessem revelar mais sobre o clima do Planeta Vermelho.

Quando as imagens chegaram à Terra, após a conjunção, os cientistas não viram qualquer fenómeno meteorológico digno de nota, mas o par de vídeos com 25 fotogramas que juntaram captam a passagem do tempo. Os vídeos, que se estendem das 05:30 às 17:30, hora local, mostram a silhueta do Curiosity a mudar à medida que o dia passa de manhã para a tarde e para a noite.

O primeiro vídeo, com imagens da câmara frontal Hazcam, olha para sudeste ao longo de Gediz Vallis, um vale do Monte Sharp. O Curiosity tem estado a subir a base da montanha com 5 quilómetros de altura, que se situa na cratera Gale, desde 2014.

À medida que o céu se ilumina durante o nascer do sol, a sombra do braço robótico do rover, com 2 metros, desloca-se para a esquerda e as rodas dianteiras do Curiosity emergem da escuridão em ambos os lados da imagem. Também se torna visível, à esquerda, um alvo circular de calibração montado no ombro do braço robótico. Os engenheiros utilizam o alvo para testar a precisão do APXS (Alpha Particle X-ray Spectrometer), um instrumento que deteta elementos químicos na superfície marciana.

A meio do dia, o algoritmo de exposição automática da Hazcam frontal estabeleceu tempos de exposição de cerca de um-terço de segundo. Ao cair da noite, esse tempo de exposição aumenta para mais de um minuto, causando o típico ruído do sensor conhecido como “pixéis quentes” que aparece como neve branca na imagem final.

A Hazcam traseira do Curiosity captou a sombra da parte de trás do rover nesta imagem de 12 horas, olhando para o chão da cratera Gale. Uma variedade de factores causou vários artefactos na imagem, incluindo uma mancha preta, a aparência distorcida do Sol e as filas de pixels brancos que se estendem do Sol.
Crédito: NASA/JPL-Caltech

O segundo vídeo mostra a vista da Hazcam traseira enquanto olha para noroeste, descendo as encostas do Monte Sharp até ao chão da Cratera Gale. A roda traseira direita do rover é visível, juntamente com a sombra do sistema elétrico do Curiosity. Um pequeno artefacto preto que aparece à esquerda a meio do vídeo, durante o 17.º fotograma, resultou de um raio cósmico que atingiu o sensor da câmara. Da mesma forma, os flashes brilhantes e outros ruídos no final do vídeo são o resultado do calor do sistema de energia do veículo, que afeta o sensor de imagem da Hazcam.

Estas imagens foram reprojetadas para corrigir as lentes de grande angular das Hazcams. O aspeto salpicado das imagens, especialmente proeminente no vídeo da câmara traseira, deve-se a 11 anos de poeira marciana depositada nas lentes.

// NASA (comunicado de imprensa)

Saiba mais:

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Marte:
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The Nine Planets

Conjunção solar:
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