Astrónomos identificam a estrela mais fria, até agora, a emitir ondas de rádio

Astrónomos da Universidade de Sydney mostraram que uma pequena e ténue estrela é a mais fria de que há registo a produzir emissões no rádio.

A “anã castanha ultrafria” examinada no estudo é uma bola de gás que ferve a cerca de 425 graus centígrados – mais fria do que uma típica fogueira – sem queimar combustível nuclear.

Em contraste, a temperatura à superfície do Sol, um inferno nuclear, é de cerca de 5600 graus.

O tamanho relativo de uma típica anã castanha. A estrela neste estudo tem entre 0,65 e 0,95 vezes o raio de Júpiter.
Crédito: NASA/JPL

Embora não seja a estrela mais fria alguma vez encontrada, é a mais fria até agora analisada com recurso à radioastronomia. Os resultados foram publicados na revista The Astrophysical Journal Letters.

O autor principal e estudante de doutoramento na Escola de Física, Kovi Rose, afirmou: “É muito raro encontrar estrelas anãs castanhas ultrafrias como esta a produzir emissões de rádio. Isso deve-se ao facto de a sua dinâmica não produzir normalmente os campos magnéticos que geram emissões de rádio detetáveis a partir da Terra.

“Encontrar esta anã castanha a produzir ondas de rádio a uma temperatura tão baixa é uma descoberta fantástica.

“Aprofundar o nosso conhecimento das anãs castanhas ultrafrias como esta vai ajudar-nos a compreender a evolução das estrelas, incluindo a forma como geram campos magnéticos.”

A forma como a dinâmica interna das anãs castanhas produz por vezes ondas de rádio é uma questão em aberto. Embora os astrónomos tenham uma boa ideia de como as estrelas maiores da “sequência principal”, como o Sol, geram campos magnéticos e emissões de rádio, ainda não se sabe completamente porque é que menos de 10% das estrelas anãs castanhas produzem tais emissões.

Pensa-se que a rápida rotação das anãs ultrafrias contribui para gerar os seus fortes campos magnéticos. Quando o campo magnético gira a uma velocidade diferente da da atmosfera ionizada da anã, pode criar fluxos de corrente elétrica.

Neste caso, pensa-se que as ondas de rádio são produzidas pelo fluxo de eletrões para a região polar magnética da estrela, o que, juntamente com a rotação da estrela anã castanha, está a produzir surtos de rádio que se repetem regularmente.

As estrelas anãs castanhas, assim chamadas por emitirem pouca energia ou luz, não são suficientemente massivas para iniciar a fusão nuclear associada a outras estrelas como o nosso Sol.

Rose disse: “Estas estrelas são uma espécie de elo perdido entre as estrelas mais pequenas que queimam hidrogénio em reações nucleares e os maiores planetas gigantes gasosos, como Júpiter.”

A estrela, com o nome apelativo de WISE J062309.94-045624.6, está localizada a cerca de 37 anos-luz da Terra. Foi descoberta em 2011 por astrónomos do Caltech, nos Estados Unidos.

O raio da estrela situa-se entre 0,65 e 0,95 vezes o raio de Júpiter. A sua massa não é bem conhecida, mas é pelo menos quatro vezes mais massiva do que Júpiter, mas não mais do que 44 vezes mais massiva. O Sol é 1000 vezes mais massivo que Júpiter.

A análise da estrela foi efetuada por Rose utilizando novos dados do telescópio ASKAP (Australian Square Kilometre Array Pathfinder) da CSIRO (Commonwealth Scientific and Industrial Research Organisation) na Austrália Ocidental e seguida de observações do ATCA (Australia Telescope Compact Array) perto de Narrabri, Nova Gales do Sul, e do telescópio MeerKAT na África do Sul.

A professora Tara Murphy, coautora e Diretora da Escola de Física da Universidade de Sydney, afirmou: “Acabámos de iniciar as operações completas do ASKAP e já estamos a encontrar muitos objetos astronómicos interessantes e invulgares, como este.

“Ao abrirmos esta janela no céu no rádio, melhoraremos a nossa compreensão das estrelas que nos rodeiam e da potencial habitabilidade dos sistemas exoplanetários que albergam”.

// Universidade de Sydney (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (The Astrophysical Journal Letters)
// Artigo científico (arXiv.org)

Saiba mais:

Notícias relacionadas:
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SPACE.com
PHYSORG
COSMOS

Anãs castanhas:
Wikipedia
NASA
Andy Lloyd’s Dark Star Theory

ASKAP (Australian Square Kilometre Array Pathfinder):
CSIRO
Wikipedia

ATCA (Australia Telescope Compact Array):
CSIRO
Wikipedia

MeerKAT:
SARAO
Wikipedia

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