
Crédito: NASA/JPL-Caltech/ASU/MSSS
O rover Perseverance da NASA recolheu e armazenou a primeira amostra da mais recente campanha científica da missão na passada quinta-feira, dia 30 de março. Em cada campanha, a equipa explora e estuda uma nova área. Nesta, o rover está a explorar o topo do delta da Cratera Jezero. O Perseverance recolheu um total de 19 amostras e três “tubos testemunha”, e recentemente depositou 10 tubos na superfície marciana como reserva para a campanha MSR (Mars Sample Return) da NASA-ESA.
Os cientistas querem estudar amostras marcianas com poderoso equipamento de laboratório na Terra para procurar sinais de antiga vida microbiana e para melhor compreender o ciclo da água que moldou a superfície e o interior de Marte.
Recolhida de uma rocha que a equipa científica chama “Berea”, esta mais recente é a 16.ª amostra rochosa da missão (também tem amostras de rególito – rocha quebrada e poeira – assim como da atmosfera de Marte). A equipa científica pensa que Berea se formou a partir de depósitos de rocha que foram transportados para este local por um antigo rio. Isso significaria que o material pode ter vindo de uma área muito além dos limites da Cratera Jezero e é uma das razões pelas quais a equipa considera a rocha tão promissora.
“A segunda razão é que a rocha é rica em carbonato”, disse Katie Stack Morgan, cientista adjunta para o Perseverance no JPL da NASA no sul da Califórnia. “As rochas de carbonato podem ser boas a preservar formas fossilizadas de vida. A haver bioassinaturas nesta parte da Cratera Jezero, uma rocha como esta pode muito bem guardar os seus segredos”.

Crédito: NASA/JPL-Caltech/ASU/MSSS
Um enigma climático
Um grande puzzle é a forma como o clima de Marte funcionava quando esta área estava coberta de água líquida. Tendo em conta que os carbonatos se formam devido a interações químicas na água líquida, podem proporcionar aos cientistas um registo a longo prazo das mudanças no clima do planeta. Ao estudar o carbonato na amostra de Berea, a equipa científica pode ajudar a preencher as lacunas.
“A amostra de Berea realça a beleza das missões dos rovers”, disse Ken Farley, cientista do projeto Perseverance no Caltech em Pasadena, EUA. “A mobilidade do Perseverance permitiu-nos recolher amostras ígneas do chão relativamente plano da cratera durante a primeira campanha, e depois viajar até à base do delta da cratera, onde encontrámos rochas sedimentares, compostas por grãos finos, depositadas num leito seco. Agora estamos a recolher amostras de um local geológico onde encontramos rochas sedimentares de granulometria grosseira depositadas num rio. Com esta diversidade de ambientes para observar e para recolher amostras, estamos confiantes de que estas amostras nos permitirão compreender melhor o que aconteceu aqui, na Cratera Jezero, há milhares de milhões de anos”.
Com esta amostra mais recente armazenada em segurança num tubo situado na sua barriga, o rover com seis rodas vai continuar a subir o leque aluvial sedimentar de Jezero em direção à próxima curva no leito seco do rio, um local a que a equipa científica está a chamar de “Castell Henllys”.
// NASA (comunicado de imprensa)
Saiba mais:
Marte:
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