
Crédito: NASA/Centro de Pesquisa Ames/Daniel Rutter
Foi recentemente descoberto um exoplaneta onde poderá valer a pena procurar sinais de vida. Análises efetuadas por uma equipa liderada pela astrónoma Diana Kossakoski do Instituto Max Planck para Astronomia descrevem um planeta que orbita a sua estrela hospedeira, a anã vermelha Wolf 1069, na zona habitável. Esta zona inclui distâncias em torno da estrela para as quais pode existir água líquida à superfície do planeta. Além disso, o planeta, chamado Wolf 1069 b, tem uma massa semelhante à da Terra. Muito provavelmente, este é um planeta rochoso que também pode ter uma atmosfera. Isto torna-o um dos poucos alvos promissores onde procurar sinais de condições favoráveis à vida e bioassinaturas.
Quando os astrónomos procuram planetas para lá do nosso Sistema Solar, estão particularmente interessados em planetas semelhantes à Terra. Dos mais de 5000 exoplanetas descobertos até agora, apenas cerca de uma dúzia têm uma massa semelhante à da Terra e habitam na zona habitável, a gama de distâncias, num sistema planetário, onde a água pode manter a sua forma líquida à superfície do planeta. Com Wolf 1069 b, temos mais um candidato na lista de exoplanetas sobre os quais a vida poderá ter evoluído.
Um planeta com dia e noite eternos
A deteção de planetas com baixa massa continua a ser um grande desafio. Diana Kossakowski e a sua equipa no Instituto Max Planck para Astronomia em Heidelberg assumiram esta tarefa. Como parte do projeto Carmenes, foi desenvolvido um instrumento especificamente para a procura de mundos potencialmente habitáveis. A equipa Carmenes está a utilizar este aparelho no Observatório de Calar Alto, na Espanha. “Quando analisámos os dados da estrela Wolf 1069, descobrimos um sinal claro e de baixa amplitude do que parece ser um planeta com aproximadamente a massa da Terra”, disse Diana Kossakowski. “Orbita a estrela em cerca de 15,6 dias a uma distância equivalente a quinze avos da separação entre a Terra e o Sol”. Os resultados do estudo foram agora publicados na revista Astronomy & Astrophysics.
De acordo com o estudo, a superfície da estrela anã é relativamente fria e, por isso, parece laranja-avermelhada. “Como resultado, a chamada zona habitável desloca-se para mais perto”, explica Kossakowski. Apesar da sua pequena distância à estrela, o planeta Wolf 1069 b recebe, portanto, apenas cerca de 65% da energia que a Terra recebe do Sol. Estas condições especiais tornam os planetas em torno de anãs vermelhas como Wolf 1069 potencialmente amigáveis à vida. Além disso, todos eles podem partilhar uma propriedade especial: têm provavelmente bloqueio de marés. Por outras palavras, o planeta tem sempre a mesma face voltada para a estrela, enquanto a outra nunca “vê” a estrela. Portanto, há um dia eterno, enquanto do outro lado é sempre noite. Esta é também a razão pela qual vemos sempre o mesmo lado da Lua.
Simulações climáticas para exoplanetas
Se se assumir que Wolf 1069 b é um planeta “nu” e rochoso, a temperatura média mesmo no lado virado para a estrela seria de apenas -23º C. Contudo, de acordo com os conhecimentos atuais, é bem possível que Wolf 1069 b tenha formado uma atmosfera. Sob esta hipótese, a sua temperatura pode subir para 13º C, como demonstram as simulações por computador com modelos climáticos. Nestas circunstâncias, a água continuaria líquida e as condições favoráveis à vida poderiam prevalecer, porque a vida como a conhecemos depende da água.

Crédito: Kossakowski et al. (2023)/Instituto Max Planck para Astronomia
Uma atmosfera não é apenas uma condição prévia para o aparecimento da vida de um ponto de vista climático. Também protegeria Wolf 1069 b da radiação eletromagnética altamente energética e das partículas que destroem possíveis biomoléculas. A radiação e as partículas ou provêm do espaço interestelar ou da estrela central. Se a radiação da estrela for demasiado intensa, pode também despojar a atmosfera de um planeta, como aconteceu em Marte. Mas, como anã vermelha, Wolf 1069 emite apenas radiação relativamente fraca. Assim, neste planeta recentemente descoberto pode ter sido preservada uma atmosfera. É até possível que o planeta tenha um campo magnético que o protege das partículas carregadas do vento estelar. Muitos planetas rochosos têm um núcleo líquido, o que gera um campo magnético através do efeito dínamo, semelhante ao do planeta Terra.
A difícil procura por exoplanetas com a massa da Terra
Tem havido um enorme progresso na busca por exoplanetas desde que o primeiro deste tipo foi descoberto há 30 anos. Ainda assim, as assinaturas que os astrónomos procuram a fim de detetar planetas com massas e diâmetros semelhantes à Terra são relativamente difíceis de extrair dos dados. A equipa Carmenes está à procura de pequenas mudanças periódicas no espectro estelar. Espera-se que estas mudanças surjam quando um companheiro “puxa” a estrela hospedeira, fazendo com que oscile. Como resultado, a frequência da luz medida a partir da Terra muda devido ao efeito Doppler. No caso de Wolf 1069 e do seu recém-descoberto planeta, estas flutuações são suficientemente grandes para serem medidas. Uma das razões é que a diferença de massa entre a estrela e o planeta é relativamente pequena, fazendo com que a estrela oscile em torno do centro de massa do sistema de forma mais pronunciada do que em outros casos. A partir do sinal periódico, a massa do planeta também pode ser estimada.

Crédito: Departamento gráfico do Instituto Max Planck para Astronomia/J. Neidel
Apenas um punhado de candidatos para futura caracterização exoplanetária
A uma distância de 31 anos-luz, Wolf 1069 b é o sexto planeta, de massa terrestre e na zona habitável, mais próximo de nós. Pertence a um pequeno grupo de objetos, como Proxima Centauri b e TRAPPIST-1 e, que são candidatos a buscas por bioassinaturas. No entanto, tais observações estão atualmente para lá das capacidades da investigação astronómica. “Teremos provavelmente de esperar mais dez anos por isto”, salienta Kossakowski. O ELT (Extremely Large Telescope), atualmente em construção no Chile, poderá ser capaz de estudar a composição das atmosferas destes planetas e possivelmente até detetar evidências moleculares de vida.
// Instituto Max Planck para Astronomia (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Astronomy & Astrophysics)
// Artigo científico (arXiv.org)
Saiba mais:
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Wolf 1069 b:
Exoplanet.eu
Open Exoplanet Catalogue
Wolf 1069:
Wikipedia
Anãs vermelhas:
Wikipedia
Exoplanetas:
Wikipedia
Lista de planetas (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
NASA
Exoplanet.eu
Observatório de Calar Alto:
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CARMENES
Projeto CARMENES:
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