A equipa da missão InSight optou por operar o seu sismómetro durante mais tempo do que o anteriormente planeado, embora o “lander” fique, como resultado, sem energia mais cedo.
À medida que a potência disponível para o módulo de aterragem InSight da NASA diminui de dia para dia, a equipa reviu a linha temporal da missão a fim de maximizar a ciência que ainda pode realizar. O “lander” foi projetado para desligar automaticamente o sismómetro – o último instrumento científico operacional do InSight – até ao final de junho, a fim de conservar energia, sobrevivendo com a energia que os seus painéis solares carregados de poeira podem gerar até mais ou menos dezembro.

Crédito: NASA/JPL-Caltech
Em vez disso, a equipa planeia agora programar o “lander” para que o sismómetro possa funcionar durante mais tempo, talvez até ao final de agosto ou início de setembro. Ao fazê-lo, as baterias do módulo de aterragem serão desligadas mais cedo e o InSight ficará sem energia também nessa altura, mas poderá permitir que o sismómetro detete sismos marcianos adicionais.
“O InSight ainda não terminou de nos ensinar mais sobre Marte,” disse Lori Glaze, diretora da Divisão de Ciências Planetárias da NASA em Washington. “Vamos obter toda a ciência que pudermos antes do ‘lander’ concluir as operações.”
O InSight (Interior Exploration using Seismic Investigations, Geodesy and Heat Transport) está numa missão alargada após ter alcançado os seus objetivos científicos. O “lander” detetou mais de 1300 sismos marcianos desde que aterrou em Marte em 2018, fornecendo informação que permitiu aos cientistas medir a profundidade e composição da crosta, manto e núcleo de Marte. Com os seus outros instrumentos, o InSight registou dados meteorológicos inestimáveis, investigou o solo sob o módulo e estudou o que resta do antigo campo magnético de Marte.

Crédito: NASA/JPL-Caltech
Todos os instrumentos, exceto o sismómetro, já foram desligados. Tal como outras missões marcianas, o InSight tem um sistema de proteção contra falhas que ativa automaticamente o “modo de segurança” em situações ameaçadoras e desliga todas as funções, exceto as suas funções mais essenciais, permitindo aos engenheiros avaliar a situação. A baixa potência e as temperaturas que derivam para fora dos limites predeterminados podem ambos desencadear o modo de segurança.
Para permitir com que o sismómetro continue a funcionar durante o máximo de tempo possível, a equipa da missão está a desligar o sistema de proteção contra falhas do InSight. Embora isto permita que o instrumento funcione durante mais tempo, deixa o módulo de aterragem desprotegido contra acontecimentos súbitos e inesperados aos quais os controladores na Terra não teriam tempo de responder.
“O objetivo é obter dados científicos até ao ponto em que o InSight já não possa funcionar, em vez de conservar energia e operar o módulo terrestre sem qualquer benefício científico,” disse Chuck Scott, gestor do projeto InSight no JPL da NASA no sul da Califórnia, EUA.
// NASA (comunicado de imprensa)
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