Após a conclusão das etapas críticas de alinhamento dos espelhos, a equipa do Telescópio Espacial James Webb da NASA espera que o desempenho ótico do Webb seja capaz de cumprir ou exceder os objetivos científicos para que o observatório foi construído.
No dia 11 de março, a equipa do Webb completou a fase de alinhamento conhecida como “faseamento fino”. Nesta fase chave do comissionamento do OTE (Optical Telescope Element) do Webb, todos os parâmetros óticos que foram verificados e testados estão a funcionar de acordo com, ou acima, das expetativas. A equipa também não encontrou problemas críticos e nenhuma contaminação ou bloqueios mensuráveis no percurso ótico do Webb. O observatório é capaz de recolher com sucesso luz de objetos distantes e de a “entregar” aos seus instrumentos sem problemas.
Embora faltem meses até que o Webb acabe por fornecer a sua nova visão dos cosmos, alcançar este marco científico significa que a equipa está confiante de que o sistema ótico do Webb, o primeiro do seu género, está a funcionar da melhor forma possível.

Crédito: NASA/STScI
“Há mais de 20 anos, a equipa do Webb propôs-se a construir o telescópio mais poderoso que alguém alguma vez colocou no espaço e inventou um design ótico audacioso para satisfazer objetivos científicos exigentes”, disse Thomas Zurbuchen, administrador associado do Diretorado de Missões Científicas da NASA em Washington. “Hoje podemos dizer que esse design vai dar resultados.”
Apesar de alguns dos maiores telescópios terrestres já utilizarem espelhos primários segmentados, o Webb é o primeiro telescópio no espaço a usar um tal conceito. O espelho primário de 6,5 metros – demasiado grande para caber dentro de um foguetão – é composto por 18 segmentos hexagonais feitos de berílio. Teve de ser dobrado para o lançamento e depois desdobrado no espaço antes de cada segmento ser ajustado – a uma escala de nanómetros – para formar uma única superfície espelhada.
“Para além de permitir a incrível ciência que o Webb irá alcançar, as equipas que conceberam, contruíram, testaram, lançaram e agora operam este observatório foram pioneiras numa nova forma de construir telescópios espaciais”, disse Lee Feinberg, gestor do OTE do Webb no Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado norte-americano de Maryland.
Com a fase de rastreamento fino do telescópio concluída, a equipa alinhou agora totalmente o instrumento primário do Webb, o NIRCam (Near-Infrared Camera), com os espelhos do observatório.
“Alinhámos e focámos totalmente o telescópio numa estrela, e o desempenho está a ultrapassar as especificações. Estamos entusiasmados com o que isto significa para a ciência,” disse Ritva Keski-Kuha, da equipa do ETO em Goddard. “Sabemos agora que construímos o telescópio certo.”

Crédito: NASA/STScI
Durante as próximas seis semanas, a equipa prosseguirá com os restantes passos de alinhamento antes dos preparativos finais dos instrumentos científicos. Além do NIRCam, a equipa alinhará ainda mais o telescópio para incluir o NIRSpec (Near-Infrared Spectrograph), o MIRI (Mid-Infrared Instrument) e o FGS/NIRISS (Fine Guidance Sensor/Near InfraRed Imager and Slitless Spectrograph). Nesta fase do processo, um algoritmo avaliará o desempenho de cada instrumento e depois calculará as correções finais necessárias para alcançar um telescópio bem alinhado com todos os instrumentos científicos. Depois disto, terá início a etapa final de alinhamento do Webb e a equipa ajustará quaisquer erros residuais de posicionamento nos segmentos do espelho.
A equipa está no bom caminho para concluir todos os aspetos do alinhamento do OTE até ao início de maio, se não mais cedo, antes de passar cerca de dois meses a preparar os instrumentos científicos. Os primeiros dados científicos e as primeiras imagens de resolução completa do Webb serão divulgados no verão.
O Telescópio Espacial James Webb é o principal observatório de ciências espaciais do mundo e, uma vez plenamente operacional, ajudará a resolver mistérios no nosso Sistema Solar, olhará mais além para mundos distantes em redor de outras estrelas e investigará as misteriosas estruturas e origens do nosso Universo e o nosso lugar nele. O Webb é um programa internacional liderado pela NASA com os seus parceiros, a ESA e a Agência Espacial Canadiana.
// NASA (comunicado de imprensa)
// ESA (comunicado de imprensa)
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