Um raro exoplaneta que orbita em torno de duas estrelas ao mesmo tempo foi detetado utilizando um telescópio terrestre por uma equipa liderada pela Universidade de Birmingham.
O planeta, chamado Kepler-16b, até agora só tinha sido visto utilizando o telescópio espacial Kepler. Orbita duas estrelas, duas estrelas essas que também se orbitam uma à outra, formando um sistema binário. Kepler-16b está localizado a cerca de 245 anos-luz da Terra e, tal como o planeta natal de Luke Skywalker, Tatooine da saga Guerra das Estrelas, teria dois pores-do-Sol se se pudesse estar à sua superfície.

Crédito: Amanda Smith, Universidade de Birmingham
O telescópio de 193 cm usado na nova observação encontra-se no Observatório de Haute-Provence, na França. A equipa foi capaz de detetar o planeta utilizando o método da velocidade radial, no qual os astrónomos observam uma mudança na velocidade de uma estrela enquanto um planeta orbita à sua volta.
A deteção de Kepler-16b usando o método da velocidade radial é uma importante demonstração de que é possível detetar planetas circumbinários usando métodos mais tradicionais, com maior eficiência e menor custo do que através da utilização de naves espaciais.
É importante notar que o método da velocidade radial é também mais sensível a planetas adicionais num sistema e pode também medir a massa de um planeta – a sua propriedade mais fundamental.
Tendo demonstrado o método usando Kepler-16b, a equipa planeia continuar à procura de planetas circumbinários anteriormente desconhecidos e ajudar a responder a perguntas sobre o modo como os planetas são formados. Normalmente, pensa-se que a formação planetária tem lugar dentro de um disco protoplanetário – uma massa de poeira e gás que envolve uma estrela jovem. No entanto, este processo pode não ser possível dentro de um sistema circumbinário.
O professor Amaury Triaud, da Universidade de Birminghtam, que liderou a equipa, explica: “Usando esta explicação padrão, é difícil compreender como é que os planetas circumbinários podem existir. Isto porque a presença de duas estrelas interfere com o disco protoplanetário, e isto evita que a poeira se aglomere em planetas, um processo chamado acreção.
“O planeta pode ter-se formado longe das duas estrelas, onde a sua influência é mais fraca, e depois ter-se movido para dentro num processo chamado migração impulsionada pelo disco – ou, em alternativa, podemos descobrir que precisamos de rever a nossa compreensão do processo de acreção planetária.”
O Dr. David Martin, da Universidade Estatal do Ohio nos EUA, que contribuiu para a descoberta, explica: “Os planetas circumbinários fornecem uma das pistas mais claras de que a migração impulsionada pelo disco é um processo viável e que acontece regularmente.”
O Dr. Alexandre Santerne, da Universidade de Marselha, colaborador na investigação, acrescenta: “Kepler-16b foi descoberto pela primeira vez há 10 anos pelo satélite Kepler da NASA, utilizando o método de trânsito. Este sistema foi a descoberta mais inesperada feita pelo Kepler. Optámos por virar o nosso telescópio e recuperar Kepler-16 para demonstrar a validade dos nossos métodos de velocidade radial.”
A Dra. Isabelle Boisse, também da Universidade de Marselha, é a cientista responsável pelo instrumento SOPHIE que foi utilizado para recolher os dados. Ela disse: “A nossa descoberta mostra como os telescópios terrestres permanecem inteiramente relevantes para a investigação moderna de exoplanetas e podem ser utilizados para novos e excitantes projetos. Tendo mostrado que podemos detetar Kepler-16b, vamos agora analisar dados obtidos em muitos outros sistemas estelares binários, e procurar novos planetas circumbinários.”
// Universidade de Birmingham (comunicado de imprensa)
// Universidade Estatal do Ohio (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Monthly Notices of the Royal Astronomical Society)
// Artigo científico (arXiv.org)
Saiba mais:
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COSMOS
PHYSORG
ScienceDaily
Forbes
Kepler-16b:
NASA
Exoplanet.eu
Wikipedia
Exoplanetas:
Wikipedia
Lista de planetas (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
NASA
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares
Observatório de Haute-Provence:
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Wikipedia
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