Astrónomos avistam anã branca a “ligar e a desligar-se”

A maioria das estrelas transforma-se em anãs brancas após queimarem o hidrogénio que as alimenta. Agora, os astrónomos viram um destes objetos galácticos a ligar e a desligar-se pela primeira vez.

Os investigadores usaram o TESS, um satélite caçador de planetas, para observar o fenómeno único numa anã branca a cerca de 1400 anos-luz da Terra.

Esta anã branca em particular – TW Pictoris – é conhecida por estar a acretar matéria, ou a alimentar-se, de uma estrela companheira.

Os astrónomos viram-na a perder brilho em 30 minutos, um processo observado apenas anteriormente na acreção de anãs brancas ao longo de um período de vários dias a meses.

Impressão de artista de uma anã branca – neste caso, a anã branca MV Lyrae – acretando matéria de uma estrela companheira.
Crédito: Helena Uthas

Anã branca em acreção

O brilho de uma anã branca em acreção é afetado pela quantidade de material em seu redor a partir do qual se alimenta, de modo que os investigadores dizem que algo está a interferir no seu reservatório de “comida”.

Pensam que o que estão a testemunhar podem ser mudanças no campo magnético à superfície da anã branca.

Durante o modo “ligado”, quando o brilho é alto, a anã branca alimenta-se do disco de acreção como faria normalmente.

De repente e de forma abrupta, o sistema “desliga-se” e o seu brilho cai.

Os investigadores dizem que, quando isto acontece, o campo magnético está a girar tão depressa que cria uma barreira que interrompe a quantidade de comida que a anã branca pode receber.

Isto leva a pequenos aumentos semiregulares no brilho observado pelos astrónomos. Após algum tempo, o sistema “liga-se” esporadicamente outra vez e o brilho volta ao nível original.

Eles esperam que a sua descoberta nos ensine mais sobre a física por trás da acreção – onde objetos como buracos negros, anãs brancas e estrelas de neutrões se alimentam de material circundante de estrelas vizinhas.

// Universidade de Durham (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Nature Astronomy)

Saiba mais:

TW Pictoris:
AAVSO
Wikipedia
Estrela variável cataclísmica (Wikipedia)

Anãs brancas:
Wikipedia

TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite):
NASA
NASA/Goddard
Programa de Investigadores do TESS (HEASARC da NASA)
MAST (Arquivo Mikulski para Telescópios Espaciais)
Exoplanetas descobertos pelo TESS (NASA Exoplanet Archive)
Wikipedia

Sobre Miguel Montes

Veja também

As órbitas dos cometas de longo período refletem a passagem próxima da estrela HD 7977

Um novo estudo sugere que a passagem da estrela HD 7977, há cerca de 2,5 milhões de anos, perturbou a Nuvem de Oort e desencadeou uma chuva de cometas de longo período que ainda hoje afeta o Sistema Solar. Se confirmado, o fenómeno poderá duplicar o número de cometas observados e obrigar a rever as estimativas da população da Nuvem de Oort.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *