Uma equipa internacional de astrónomos tornou-se na primeira do mundo a detetar isótopos na atmosfera de um exoplaneta. Diz respeito a diferentes formas de carbono no planeta gigante gasoso TYC 8998-760-1 b. A investigação foi publicada na revista científica Nature.
O planeta está a 300 anos-luz da Terra na direção da constelação de Mosca. O sinal fraco foi medido com o VLT (Very Large Telescope) do ESO no Chile e parece indicar que o planeta é relativamente rico em carbono-13. Os astrónomos especulam que assim é porque o planeta se formou a uma grande distância da sua estrela-mãe.

Crédito: Daniëlle Futselaar (Artsource)
Doenças, mudanças climáticas e datação por carbono
Os isótopos são formas diferentes do mesmo átomo, mas com um número variável de neutrões no núcleo. Por exemplo, o carbono com seis protões normalmente tem seis neutrões (carbono-12), mas ocasionalmente sete (carbono-13) ou oito (carbono-14). Isto não muda muito as propriedades químicas do carbono, mas os isótopos são formados de maneiras diferentes e reagem frequentemente de maneira ligeiramente diferente às condições dominantes. Os isótopos são, portanto, usados numa ampla gama de campos de pesquisa: desde a deteção de doenças cardiovasculares ou cancro até ao estudo das mudanças climáticas e à determinação da idade de fósseis e rochas.
Medição especial
Os astrónomos foram capazes de distinguir o carbono-13 do carbono-12 porque absorve radiação em cores ligeiramente diferentes. “É realmente muito especial medir isto numa atmosfera exoplanetária,” a uma distância tão grande,” disse Yapeng Zhang, candidata a doutoramento na Universidade de Leiden, autora principal do artigo.
Os astrónomos esperavam detetar cerca de um átomo de carbono-13 por cada 70 de carbono mas, para este planeta, parece ser o dobro. A ideia é que a mais alta concentração de carbono-13 está de alguma forma ligada à formação do exoplaneta.
O coautor Paul Mollière, ex-pós-doutorado em Leiden e agora investigador do Instituto Max Planck para Astronomia, na Alemanha, explica: “O planeta está mais de 150 vezes mais longe da sua estrela-mãe do que a Terra está do nosso Sol. A uma distância tão grande, os gelos possivelmente formaram-se com mais carbono-13, levando hoje a uma maior fração deste isótopo na atmosfera do planeta.”

Crédito: Yapeng Zhang (Observatório de Leiden)/departamento gráfico do Instituto Max Planck para Astronomia
Novo planeta
O planeta propriamente dito, TYC 8998-760-1 b, foi descoberto há dois anos pelo candidato a doutoramento na Universidade de Leiden, Alexander Bohn, coautor do presente artigo. “É incrível que esta descoberta tenha sido feita perto do ‘meu’ planeta. Provavelmente será a primeira de muitas.”
Ignas Snellen, professor em Leiden e durante muitos anos a força por trás deste campo, está orgulhoso. “A expetativa é que, no futuro, os isótopos ajudem ainda mais a entender exatamente como, onde e quando os planetas se formam. Isto é apenas o começo.”
// Universidade de Leiden (comunicado de imprensa)
// Instituto Max Planck para Astronomia (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Nature)
// Artigo científico (PDF)
Saiba mais:
Carbono-13:
Wikipedia
TYC 8998-760-1 b:
NASA
NASA (IPAC)
Exoplanet.eu
Simbad
TYC 8998-760-1 (Wikipedia)
Exoplanetas:
Wikipedia
Lista de planetas (Wikipedia)
Lista de exoplanetas potencialmente habitáveis (Wikipedia)
Lista de extremos (Wikipedia)
Open Exoplanet Catalogue
NASA
Enciclopédia dos Planetas Extrasolares
CCVAlg – Astronomia Centro Ciência Viva do Algarve – Astronomia