
Crédito: Axel Quetz/Departamento Gráfico do Instituto Max Planck para Astrofísica
Combinando a luz dos quatro grandes telescópios do VLT, os astrónomos da colaboração GRAVITY conseguiram observar diretamente o brilho da luz proveniente de um exoplaneta perto da sua estrela-mãe. O planeta, de nome Beta Pictoris c, é o segundo planeta encontrado a orbitar a estrela hospedeira. Foi detetado originalmente através do método de velocidade radial, que mede a oscilação da estrela devido à atração do planeta em órbita. Beta Pictoris c está tão perto da sua estrela hospedeira que até mesmo os melhores telescópios não foram capazes de obter imagens diretas do planeta, até agora.
“Esta é a primeira confirmação direta de um planeta detetado através do método de velocidade radial,” diz Sylvestre Lacour, líder do programa de observação ExoGRAVITY. As medições de velocidade radial têm sido usadas há muitas décadas pelos astrónomos, e permitiram a deteção de centenas de exoplanetas. Mas nunca antes os astrónomos foram capazes de obter uma observação direta de um desses planetas. Isto só foi possível porque o instrumento GRAVITY, situado num laboratório sob os quatro telescópios que utiliza, é um instrumento muito preciso. Observa a luz da estrela-mãe com todos os quatro telescópios do VLT ao mesmo tempo e combina-os num telescópio virtual com os detalhes necessários para revelar Beta Pictoris c.
“É incrível o nível de detalhe e sensibilidade que podemos alcançar com o GRAVITY,” maravilha-se Frank Eisenhauer, o cientista líder do projeto GRAVITY no Instituto Max Planck para Física Extraterrestre. “Estamos apenas a começar a explorar impressionantes novos mundos, desde o buraco negro supermassivo no centro da nossa Galáxia a planetas para lá do nosso Sistema Solar.”
A deteção direta com o GRAVITY, no entanto, só foi possível devido aos novos dados de velocidade radial que estabelecem com precisão o movimento orbital de Beta Pictoris c, apresentados num segundo artigo também publicado a semana passada. Isto permitiu à equipa localizar e prever com precisão a posição esperada do planeta para que o GRAVITY pudesse encontrá-lo.
Beta Pictoris c é, portanto, o primeiro planeta que foi detetado e confirmado com ambos os métodos, medições de velocidade radial e imagem direta. Além da confirmação independente do exoplaneta, os astrónomos podem agora combinar o conhecimento destas duas técnicas anteriormente separadas. “Isto significa que podemos agora obter tanto o brilho como a massa deste exoplaneta,” explica Mathis Nowak, o autor principal do artigo de descoberta do GRAVITY. “Como regra geral, quanto maior a massa do planeta, mais brilhante é.”
No entanto, neste caso os dados sobre os dois planetas são um tanto ou quanto intrigantes: a luz que vem de Beta Pictoris c é seis vezes mais fraca do que a do seu irmão maior, Beta Pictoris b. Beta Pictoris c tem 8 vezes a massa de Júpiter. Assim sendo, qual é a massa de Beta Pictoris b? Os dados de velocidade radial vão acabar por responder a esta pergunta, mas levará muito tempo para obter dados suficientes: uma órbita completa para o planeta b, em torno da sua estrela, leva 28 anos terrestres!
“Nós usámos o GRAVITY antes para obter espectros de outros exoplanetas fotografados diretamente, os quais já continham dicas do seu processo de formação,” acrescenta Paul Molliere que, como pós-doutorado no Instituto Max Planck para Astronomia, está a modelar espectros de exoplanetas. “Esta medição do brilho de Beta Pictoris c, combinada com a sua massa, é uma etapa particularmente importante para restringir os nossos modelos de formação planetária.” Dados adicionais também podem ser fornecidos pelo GRAVITY+, o instrumento de próxima geração, que já está em desenvolvimento.
// Instituto Max Planck (comunicado de imprensa)
// Artigo científico #1 (Astronomy & Astrophysics)
// Artigo científico #2 (Astronomy & Astrophysics)
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