OSIRIS-REx da NASA começa contagem decrescente para evento TAG

Esta impressão de artista mostra a sonda OSIRIS-REx da NASA a descer até ao asteroide Bennu para recolher amostras da superfície.
Crédito: NASA/Goddard/Universidade do Arizona

Aproxima-se um momento histórico para a missão OSIRIS-REx da NASA. Daqui a apenas algumas semanas, a sonda robótica OSIRIS-REx vai descer até à superfície do asteroide Bennu, repleta de pedregulhos, pousar por alguns segundos e recolher uma amostra das rochas e poeira do asteroide – marcando a primeira vez que a NASA agarra pedaços de um asteroide, que serão entregues à Terra para estudo.

No dia 20 de outubro, a missão realizará a primeira tentativa do seu evento de recolha de amostras TAG (Touch-And-Go). Esta série de manobras trará a espaçonave ao local “Nightingale”, uma área rochosa com 16 metros em diâmetro no hemisfério norte de Bennu, onde o braço robótico da sonda tentará recolher uma amostra. O local “Nightingale” foi selecionado como o local de amostragem principal da missão porque contém a maior quantidade de material de granulação fina desobstruído, mas a região é cercada por rochas do tamanho de prédios. Durante o evento de amostragem, a nave, que tem apenas o tamanho de uma carrinha, tentará pousar numa área do tamanho de alguns lugares de estacionamento, e a apenas alguns passos de várias destas grandes rochas.

Durante o evento de recolha de amostras de 4,5 horas, a sonda realizará três manobras separadas para alcançar a superfície do asteroide. A sequência de descida começa com a OSIRIS-REx a disparar os seus propulsores para uma manobra de partida orbital para deixar a sua segura órbita atual a aproximadamente 770 metros da superfície de Bennu. Depois de viajar quatro horas nesta trajetória descendente, a nave realizará a manobra de “Checkpoint” a uma altitude aproximada de 125 metros. Esta queima do propulsor ajusta a posição e a velocidade da OSIRIS-REx para descer abruptamente em direção à superfície. Cerca de 11 minutos depois, a sonda realizará a queima “Matchpoint” a uma altitude aproximada de 54 metros, desacelerando a sua descida e apontando um percurso para coincidir com a rotação do asteroide no momento do contacto. A nave desce então até à superfície, pousa no solo por menos de 16 segundos e dispara uma das suas três garrafas de azoto pressurizado. O gás agita e levanta material da superfície de Bennu, que é então apanhado na cabeça do braço robótico da nave. Após este breve toque, a OSIRIS-REx disparará os seus propulsores para se afastar da superfície de Bennu e navegar até uma distância segura do asteroide.

Após a manobra de partida de órbita, a sonda realizará uma sequência de reconfigurações a fim de se preparar para a amostragem. Primeiro, a OSIRIS-REx estende o seu braço robótico – o TAGSAM (Touch-And-Go Sample Acquisition Mechanism) – da sua posição dobrada de armazenamento para a sua posição de recolha de amostras. Os dois painéis solares da espaçonave então movem-se para uma configuração em forma de Y para cima do corpo da nave, o que os posiciona em segurança para cima e para longe da superfície do asteroide durante o pouso. Esta configuração também coloca o centro de gravidade da sonda diretamente sobre a cabeça do coletor TAGSAM, que é a única parte da nave que entrará em contacto com a superfície de Bennu durante o evento de recolha de amostras.

Tendo em conta que a nave e Bennu estão a mais ou menos 334 milhões de quilómetros da Terra durante a manobra TAG, levará cerca de 18,5 minutos para os sinais viajaram entre “cá e lá”. Este desfasamento evita o comando ao vivo das atividades de voo do solo durante o evento TAG, de modo que a espaçonave está construída para realizar toda a sequência de recolha de amostras de forma autónoma. Antes do início do evento, a equipa da OSIRIS-REx fará a transmissão de todos os comandos à sonda e, em seguida, enviará o comando “GO” para começar.

Para navegar autonomamente até ao local “Nightingale”, a OSIRIS-REx usa o sistema de navegação NFT (Natural Feature Tracking). A sonda começará a recolher imagens de navegação cerca de 90 minutos após a partida de órbita. Em seguida, comparará essas imagens em tempo real com um catálogo de imagens a bordo, usando características de superfície identificadas para garantir que está no caminho certo em direção ao local de pouso. À medida que se aproxima da superfície, a OSIRIS-REx atualizará as manobras “Checkpoint” e “Matchpoint” com base na estimativa da posição e velocidade da nave pelo NFT. A OSIRIS-REx continuará a usar as estimativas do NFT conforme desce para a superfície após a manobra “Matchpoint” para monitorizar a sua posição e ritmo de descida. A nave abortará autonomamente caso a sua trajetória varie para fora dos limites predefinidos.

Para garantir que a nave pousa numa área segura que evita os muitos pedregulhos da região, o sistema de navegação está equipado com um mapa de perigo do local “Nightingale”, que delineia áreas dentro do local de amostragem que podem potencialmente danificar a sonda. Se o sistema NFT detetar que está em curso para tocar numa destas zonas perigosas, a OSIRIS-REx irá cancelar a sua aproximação assim que atingir uma altitude de 5 metros. Isto mantém a espaçonave segura e permite uma tentativa de recolha de amostras subsequente numa data futura.

À medida que a sonda realiza cada evento da sequência de recolha de amostras, envia atualizações de telemetria de volta para a equipa da OSIRIS-REx, embora a uma velocidade extremamente lenta. A equipa irá monitorizar a telemetria durante a excursão e será capaz de confirmar que a nave pousou com sucesso na superfície de Bennu logo após a ocorrência da manobra TAG. As imagens e outros dados científicos recolhidos durante o evento serão transmitidos depois da nave se afastar do asteroide e quando puder apontar a sua antena maior de volta para a Terra para transmitir em velocidades de comunicação mais altas.

A OSIRIS-REx tem a responsabilidade de recolher pelo menos 60 gramas do material rochoso de Bennu para trazer para a Terra – a amostra espacial mais pesada desde o programa Apollo – e a missão desenvolveu dois métodos de verificar que esta recolha de amostras realmente ocorreu. No dia 22 de outubro, a câmara SamCam da OSIRIS-REx irá capturar imagens da cabeça TAGSAM para ver se contém material da superfície de Bennu. A sonda também realizará uma manobra de rotação no dia 24 de outubro para determinar a massa do material recolhido. Se estas manobras mostrarem uma recolha bem-sucedida, será tomada a decisão de colocar a amostra na cápsula SRC (Sample Return Capsule) para envio à Terra. Se não tiverem sido recolhidas amostras suficientes no local “Nightingale”, a sonda tem cargas de azoto a bordo para mais duas tentativas. Uma tentativa TAG no local secundário, “Osprey”, não seria feita antes de janeiro de 2021.

A equipa da missão passou os últimos meses preparando-se para o evento de recolha de amostras enquanto maximizava o trabalho remoto como parte da sua resposta à pandemia de COVID-19. No dia da manobra TAG, um número limitado de membros da equipa irá monitorizar a nave a partir da Área de Apoio à Missão Espacial da Lockheed Martin, tomando as devidas precauções de segurança. Outros membros da equipa também estarão noutros locais para fazer a cobertura do evento, observando também os protocolos de segurança.

A sonda está programada para partir de Bennu em 2021 e entregará a amostra à Terra no dia 24 de setembro de 2023.

// NASA (comunicado de imprensa)

Saiba mais:

Notícias relacionadas:
SPACE.com
SpaceDaily
PHYSORG

Asteroide Bennu:
NASA
NASA – 2 
Wikipedia

OSIRIS-REx:
Página oficial
NASA
Facebook
Twitter
YouTube
Instagram
Wikipedia

Sonda Dawn:
Página oficial
NASA
Wikipedia

Sobre Miguel Montes

Veja também

Missão TESS revela os planetas mais “inchados” já descobertos

A missão TESS da NASA descobriu os dois exoplanetas mais “fofos” alguma vez observados: TOI-791 b e TOI-791 c. Apesar de terem dimensões semelhantes às de Júpiter, são tão pouco densos que são mais leves do que algodão doce. Este raro par de "superinchados" poderá ajudar os astrónomos a compreender como os gigantes gasosos se formam e evoluem.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *