Curiosity “prova” primeira amostra em “unidade argilosa”

A Mastcam a bordo do rover Curiosity capturou este conjunto de imagens antes e depois de ter perfurado uma rocha apelidada “Aberlady”, no dia 6 de abril (2370.º dia marciano, ou sol, da missão). A rocha e outras próximas parecem ter-se movido quando a broca foi retirada. Esta foi a primeira vez que o Curiosity perfurou a tão ansiada “unidade argilosa”.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/MSSS

Os cientistas que trabalham com o rover Curiosity da NASA estão empolgados por explorar uma região chamada “unidade argilosa” até desde antes do lançamento do rover. Agora, o veículo finalmente “provou” a sua primeira amostra desta parte do Monte Sharp. O Curiosity perfurou um pedaço de rocha apelidado de “Aberlady” no sábado, dia 6 de abril (o 2370.º dia marciano, ou sol, da missão) e entregou a amostra ao seu laboratório interno de mineralogia no dia 10 de abril (sol 2374).

A broca do rover perfurou facilmente a rocha, ao contrário de alguns dos alvos mais duros que enfrentou nas proximidades de Vera Rubin Ridge. Foi um alvo tão mole, na verdade, que a broca não precisou de usar a sua técnica de percussão, útil para capturar amostras rochosas mais duras. Esta foi a primeira amostra da missão obtida usando apenas a rotação da broca.

“O Curiosity está na ‘estrada’ há quase sete anos,” disse Jim Erickson, gerente do projeto do Curiosity no JPL da NASA em Pasadena, no estado norte-americano da Califórnia. “A perfuração, finalmente, da unidade argilosa, é um marco importante na nossa jornada Monte Sharp acima.”

A Mastcam do Curiosity capturou este mosaico enquanto explorava a “unidade argilosa” no dia 3 de fevereiro de 2019 (sol 2309). Esta paisagem inclui a formação rochosa “Knockfarril Hill” (centro à direita) e o limite do cume Vera Rubin, que percorre o topo da cena.
Crédito: NASA/JPL-Caltech

Os cientistas estão ansiosos por analisar a amostra em busca de vestígios de minerais de argila, porque estes formam-se geralmente em água. A sonda MRO (Mars Reconnaissance Orbiter) da NASA espiou um forte “sinal” argiloso aqui muito antes do Curiosity pousar em 2012. A identificação desse sinal podia ajudar a equipa de cientistas a entender se uma era marciana mais húmida moldou esta camada do Monte Sharp, a montanha com 5 quilómetros de altura que o Curiosity tem vindo a escalar.

O Curiosity descobriu minerais argilosos durante toda a sua viagem. Estas rochas formaram-se como sedimentos fluviais instalados em lagos antigos há quase 3,5 mil milhões de anos. Tal como acontece noutros lugares em Marte, os lagos eventualmente secaram.

Colinas e vales esculpidos entre um cume e penhascos mais alto no Monte Sharp, quase parecem ondas. A Mastcam do rover Curiosity capturou este mosaico enquanto explorava a unidade argilosa no dia 23 de janeiro de 2019 (sol 2299).
Crédito: NASA/JPL-Caltech/MSSS

O sinal de argila, visto do espaço, trouxe aqui o rover, mas a região claramente tem várias outras histórias para contar. Agora que o Curiosity está a investigar esta área, os cientistas podem olhar em volta como turistas geológicos, encontrando uma paisagem antiga e nova. Existem vários tipos de rocha e areia, incluindo ondulações ativas de areia que mudaram no ano passado. Seixos estão espalhados por toda a parte – estão a sofrer erosão do leito local? Vários pontos de referência atraentes, como o “Monte Knockfarril”, também se destacam.

“Cada camada desta montanha é uma peça do quebra-cabeças,” disse Ashwin Vasavada, gerente do Projeto Curiosity no JPL. “Cada uma contém pistas para uma era diferente da história marciana. Estamos entusiasmados por ver o que esta primeira amostra nos diz sobre o antigo ambiente, especialmente sobre a água.”

A amostra Aberlady dará à equipa um ponto de partida para pensar sobre a unidade argilosa. Eles planeiam perfurar várias vezes ao longo do próximo ano. Isto vai ajudar a entender o que torna esta região diferente do cume por trás e de uma área com um sinal de sulfato mais alto na montanha.

// NASA/JPL (comunicado de imprensa)

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