Buracos negros gémeos no coração de M83

Segundo novas observações, uma galáxa espiral classificada como um espécime perfeito, pode ser lar de dois buracos negros supermassivos em vez de apenas um. Se assim for, os astrónomos questionam-se de como pode isto acontecer sem estragar a estrutura espiral da galáxia.

Pensa-se que a maioria das galáxias tenha um grande buraco negro com uma massa proporcional à da sua galáxia. Mas estas crescem atraves das colisões, e os astrónomos acreditam que os buracos negros se juntam ao longo do tempo.

Duas galáxias parecem ter pares de buracos negros. Estas galáxias emitem significativos raios-X quando a matéria superquente cai na direcção dos objectos massivos.

M83 é uma das mais próximas e brilhantes galáxias espiral-barradas do céu. É visível com binóculos na direcção da constelação de Hidra.
Crédito: Equipa FORS, Telescópio de 8.2 m do VLT, ESO

Mas agora um trio de astrónomos, liderados por Damián Mast da Universidade Nacional da Argentina em Córdoba, afirmam que poderão haver dois buracos negros dentro da galáxia M83, que se situa a cerca de 15 milhões de anos-luz de distância – mesmo que não emita estes raios-X.

Tal possibilidade foi levantada pela primeira vez em 2000 por outra equipa na Alemanha. A equipa estudou o movimento das estrelas da galáxia ao longo da linha de visão entre a Terra e M83, descobrindo duas concentrações de massa, ou “núcleos”. Um era bastante brilhante enquanto o outro – mais perto do centro aparente da galáxia – era ténue. A equipa sugeriu que o gás e poeira estavam bloqueando a luz do segundo objecto, que pensaram ser o verdadeiro centro da galáxia – no qual o gás e as estrelas orbitam.

A equipa de Mast estudou o movimento do gás ionizado perto do centro de M83. Usaram os dados para melhor localizar os dois nós de matéria, que parecem situar-se a cerca de 200 anos-luz entre si.

Também estimaram as suas massas, o brilhante contendo o equivalente a cinco milhões de Sóis e o mais escuro 10 milhões de Sóis. Em comparação, o buraco negro central da Via Láctea tem a massa de aproximadamente quatro milhões de massas solares.

Estas massas, em conjunto com uma observação prévia de um arco de formação estelar perto do centro da galáxia, levaram a equipa a considerar a possibilidade dos núcleos serem buracos negros supermassivos. A equipa pensa que o alto nascimento estelar pode ter sido despoletado pelo núcleo escuro viajando pelo gás denso – um evento que pode significar uma fusão galáctica. O evento pode ter começado há cerca de 8 milhões de anos atrás – a idade das estrelas mais velhas do arco.

A equipa tem cuidado ao não chamar estes objectos de “buracos negros”, considerando que podem também ser massivos enxames estelares.

David Merritt, um astrofísico do Instituto de Tecnologia Rochester em Nova Iorque, EUA, duvida que a galáxia tenha dois buracos negros supermassivos. Os buracos negros e suas massas nasceriam em galáxias de tamanho aproximadamente igual. E as fusões entre estes dois provavelmente resultariam numa galáxia com a forma de uma gota – não uma galáxia espiral “clássica” como M83, afirma.

“Penso que existe um buraco negro no local do núcleo obscurecido, e que o outro núcleo brilhante seja apenas uma região de formação estelar”.

Links:

Notícias relacionadas:
http://www.universetoday.com/am/publish/twin_black_holes_m83.html?1852005
http://internationalreporter.com/news/read.php?id=586

Artigo (em PDF) sobre o núcleo duplo de M83:
http://arxiv.org/PS_cache/astro-ph/pdf/0505/0505264.pdf

M83:
http://www.seds.org/messier/m/m083.html
http://en.wikipedia.org/wiki/Southern_Pinwheel_Galaxy

Mais informações sobre buracos negros e galáxias:
http://www.rit.edu/~drmsps/theory.htm

Sobre Miguel Montes

Veja também

Telescópio James Webb observa o nascimento de uma galáxia gigante e um buraco negro supermassivo

O Telescópio Espacial James Webb observou um grupo compacto de pelo menos seis galáxias, visto quando o Universo tinha apenas 1,5 mil milhões de anos, em processo de fusão para formar uma única galáxia gigante. No centro desta estrutura cresce um buraco negro supermassivo, oferecendo uma rara visão simultânea da formação de ambos.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *