Trânsito de Vénus de 8 de Junho de 2004.

O Trânsito de Vénus no Algarve

Como era esperado, no dia 8 de Junho de 2004 ocorreu o Trânsito de Vénus que era o evento astronómico mais esperado do ano. Com um início fraco, a sessão acabou com um afluxo nas últimas duas horas de mais de duzentas pessoas por hora.

Resolvidos a não perder nada que fosse possível visualizar, os elementos do Núcleo de Astronomia do Centro Ciência Viva do Algarve instalaram os seus telescópios cerca das 06h00 junto à Muralha da Cidade Velha no Parque de São Francisco. A equipa presente no local, que se foi revezando, foi composta por Alexandre Costa, Miguel Montes, Pedro Nolasco, Bárbara Moiteiro, Nelson Viegas, Eva Santos e João Águas.

Nas primeiras quatro horas, houve poucas pessoas a querer observar o trânsito, estimando-se na casa das poucas dezenas de pessoas por hora o número de transeuntes que o observou.

No entanto a partir das 10h30, com o aparecimento de escolas no local e de grupos de meia dúzia de pessoas que vinham chegando em ritmo crescente, o fluxo de “observadores” terá subido para mais de 200 pessoas por hora.

Os elementos do Centro Ciência Viva do Algarve foram fornecendo aos transeuntes óculos apropriados para a observação do Sol. As pessoas presentes no local podiam observar a travessia de Vénus sobre o disco solar de três formas: ou observando a projecção sobre um painel branco efectuada com um telescópio newtoniano de 114 mm de abertura, ou observando através de um telescópio catadrióptico Schmidt-Cassegrain LX50 de 25 cm de abertura equipado com um filtro solar apropriado ou utilizando simplesmente os óculos fornecidos, nos quais se via Vénus como um ponto negro de dimensões ligeiramente acima do limiar da visão.

Para além dos aspectos relacionados com a divulgação científica pretendia-se também, enquanto membros da network  do VT2004 (organizado centralmente pelo Observatório Europeu do Sul – ESO), medir os instantes dos quatro “contactos” de Vénus com a superfície do Sol.

Quando o Sol atingiu o campo visual observável com os telescópios já se havia dado o primeiro contacto, pelo que as medições ficaram limitadas aos restantes instantes. Como o importante para a estatística global a nível mundial era obter pelo menos um contacto, os elementos do Núcleo de Astronomia do CCVA  tentaram obter os restantes instantes.

O segundo contacto deu-se às 06h39min59s (em Tempo Universal (UT) tem-se uma hora a menos ou seja 05h39min59s).

País : Portugal
Local : Faro
Longitude : 7.9352777 ° W
Latitude : 37.0116666 ° N

Instantes (UTC) UA (km) Π (”) Δ(UA) (km) Δ(Π) (”) Error
1 Instante não medido
2 5 h 39 m 59.00 s 149457538 8.8024 140332 0.0083 0.094 %
3 11 h 5 m 59.00 s 149661984 8.7904 64114 0.0038 0.043 %
4 11 h 25 m 18.00 s 149623174 8.7927 25304 0.0015 0.017 %
Média AU = 149580899 km
Média Π = 8.7951 ”
Erro Médio = 0.011 %

Sobre Miguel Montes

Veja também

O cometa 3I/ATLAS foi formado num ambiente muito mais frio do que o do Sistema Solar

Observações do radiotelescópio ALMA revelaram que o cometa interestelar 3I/ATLAS contém níveis muito elevados de água "semipesada" (com deutério), cerca de 30 vezes superiores aos dos cometas do Sistema Solar. Isto indica que se formou num ambiente extremamente frio, muito diferente do nosso, oferecendo pistas sobre a diversidade de sistemas planetários na Galáxia.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *