Como um canário numa mina os micróbios podem muitas vezes pressentir perigos ou alterações nas condições ambientais muito antes dos seres humanos. Ver a reacção do canário é simples, mas como poderemos usar microorganismos para pressentir variações ambientais? Como podemos saber o que sente um micróbio? Como podemos fazer um micróbio comunicar?
Uma forma é ligá-lo a um chip de silício.
Na Universidade do Tennessee o microbiólogo Gary Saylor e os seus colegas desenvolveram um dispositivo que utiliza chips para recolher os sinais de bactérias especialmente modificadas. Os cientistas já utilizaram estes dispositivos chamados BBIC (Bioluminiscent Bioreporter Integrated Circuits) para detectar poluição na Terra. Agora com o apoio da NASA estão a desenhar uma série de novas aplicações para transportar nas naves espaciais.
O grupo de Saylor que inclui os investigadores do Tennessee Steve Ripp, Syed Islam e Ben Bialock bem como colaboradores no JPL e no Centro Espacial Kennedy fizeram bioengenharia para produzir bactérias que brilham num tom azul esverdeado na presença de contaminantes do meio onde se encontram e introduziram-nas em microlumiómetros (chips que medem a intensidade luminosa).
Assim, cada vez que o nível de contaminantes ultrapassa um valor crítico, as bactérias começam a emitir mais radiação azul esverdeada, o que é imediatamente detectado pelo microluminómetro, podendo ser accionados alarmes se for caso disso.
Para além das evidentes aplicações no combate à poluição prevêem-se nos anos mais próximos desenvolvimentos que permitam que aplicações deste género possam ser aplicadas a outras áreas relevantes como por exemplo a medicina.
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