A Archeron Fossae marca o extremo norte da Placa Tharsis e faz parte de uma rede de fracturas que tem o seu foco central no “bojo” de Tharsis uma área que tem uma elevação local e onde ocorreu forte actividade vulcânica.
As falhas curvas que se vêm nas imagens foram formadas devido à elevação da região: as fracturas formaram-se na crosta quando o material quente oriundo do manto empurrou para cima a litosfera elástica sobrenadante. Quando as tensões se tornaram demasiado grandes pequenas fracturas foram surgindo nas zonas mais frágeis da litosfera.
Esta estrutura encontra-se situada a 35º-40º N e a 220º-230º E, cerca de 1000 quilómetros a norte do grande vulcão de Monte Olimpo (o maior monte do sistema solar).
A imagem acima, em que a cratera maior tem 55 quilómetros de diâmetro, foi tirada 250 quilómetros a oeste das imagens anteriores.
A imagem mostra que a falha (rifte) atravessa a cratera de impacto mais antiga, vendo-se pelo menos três linhas de cumes e fossas.
A região Acheron Fossae pode ser comparada às zonas de rifte na Terra, onde as placas continentais se afastam, como é o caso do Vlae do Rifte Queniano na África Oriental.
A capacidade da HRSC de produzir imagens 3D (anaglifos) permite aos geólogos (melhor será dizer planetólogos) investigar em grande detalhe estas estruturas tectónicas de Marte.
Do cimo de um cume até ao fundo de uma fossa, os dados digitais do HRSC indicam haver um desnível de pelo menos 1700 metros. A fossa larga no centro da imagem tem cerca de 15 quilómetros de largura.
Observando as imagens 3D através de óculos estereoscópicos, podem ver-se diferentes níveis topográficos de onde o material foi tirado e levado para outras regiões. As estruturas que se assemelham a lóbulos são indicativas de fluxo viscoso.
A desnível entre a borda da cratera e o seu fundo é de 2000m.
Na imagem abaixo podemos ver uma construção de uma perspectiva de como será a topografia desta região de Marte.
CCVAlg – Astronomia Centro Ciência Viva do Algarve – Astronomia