Lançamento da sonda europeia Rosetta, e do veículo de aterragem Philae.

Sonda Rosetta finalmente lançada

A sonda europeia caçadora de cometas Rosetta foi finalmente lançada de Kourou, na Guiana Francesa, no dia 2 de Março – 5 dias depois da data de lançamento previsto. O alvo da sonda é o cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko, geralmente conhecido como Chury, numa viagem que irá demorar 10 anos.

Depois de se ter libertado da nave, abriu os seus painéis solares e enviou um sinal para os operadores da missão. Esta manobra era vital pois a bateria sobressalente da Roseta apenas duraria poucas horas, e por isso energia solar é vital.

O lançamento com êxito é um sinal de alívio para a Agência Espacial Europeia (ESA) e para a Arianespace, o fabricante do foguetão de lançamento Ariane-5, que estava envolvida na missão, com um custo de mil milhões de Euros. A missão já tinha sido adiada por um ano depois de uma versão anterior do Ariane-5 ter explodido em Dezembro de 2002. A duas tentativas iniciais de lançar a Roseta através do Ariane-5 original a 25 e 26 de Fevereiro tiveram também de ser abortadas.

Depois de alguns percalços, ligados a algumas falhas, a nave finalmente levantou voo. Apenas dois minutos depois, os dois foguetões sólidos foram desacoplados. Passados 8 minutos, a estrutura cilíndrica principal caiu no oceano de uma altura de 170 km.

A última parte do foguetão, o estágio superior de 3 metros que continha a sonda Roseta, circulou o globo durante duas horas antes de a libertar, o que permitiu com que escapasse ao campo gravítico da Terra. A caçadora de cometas está agora a afastar-se da Terra a uma velocidade de 3.4 km/s.

Irá orbitar o Sol numa órbita cada vez maior, ganhando momento ao passar pela Terra em 2005, 2007 e 2009, por Marte em 2007, aproveitando os seus campos gravíticos para se lançar até à órbita do cometa Chury.

Terá a hipótese de estudar pelo menos um asteróide nas suas duas passagens pela cintura de asteróides entre Marte e Júpiter, começando em 2008 e depois em 2010. Durante a missão de 10 anos, a Roseta irá afastar-se cerca de 800 milhões de quilómetros do Sol, duplicando o recorde de distância – recentemente alcançado pela sonda cometária da NASA Stardust – estabelecido por uma sonda a energia solar.

Os dois painéis solares de 14 metros da Roseta irão providenciar cerca de 8 kW de energia na órbita da Terra, mas apenas 400 Watts quando a sonda alcançar Chury. A energia limitada faz com que os instrumentos científicos a bordo permaneçam em modo de “hibernação” durante a viagem, mas em cada 6 meses irão ser ligados para testes de manutenção.

A fase “crítica” da missão começará em 2010, quando a energia solar começar a diminuir, estando a sonda a cerca de 700 milhões de quilómetros do Sol. Em 2011 a Roseta activará o seu motor em ordem a interceptar o cometa. Em Maio de 2014 disparará 8 impulsos pressurizados de hélio ao longo de uma semana, para se preparar para o encontro. Ao fim de alguns meses em órbita à volta de Chury, a Roseta libertará um pequeno e em forma de cubo “lander” chamado “Philae”, que aterrará no núcleo gelado do cometa. Aí ficará a operar durante uma semana, enviando imagens de altíssima resolução e informação acerca da crosta superior do núcleo. Estes serão enviados pela Roseta para a Terra. O “orbiter” passará mais dois anos orbitando Chury à medida que o cometa se aproxima do Sol.

O nome “Roseta” vem da famosa “Pedra de Roseta”, descoberta no Egipto há mais de 200 anos. Deu aos Egiptólogos do século XIX a chave para decifrar os hieróglifos e redescobrir três milénios de história e cultura egípcias. Como tal, a sonda irá proporcionar um estudo profundo de um núcleo cometário e de asteróides, permitindo à comunidade científica decifrar o mistério das origens do sistema solar e melhor perceber os mecanismos da formação de sistemas planetários à volta de outras estrelas.

Sobre Miguel Montes

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