Falso alarme: especialistas confirmam que a expansão do Universo está mesmo a acelerar

O estudo das supernovas do Tipo Ia – explosões violentas e luminosas de anãs brancas – levou à descoberta, premiada com o Prémio Nobel, de que a expansão do Universo está a acelerar. Esta imagem combina dados de quatro telescópios espaciais para criar uma vista em vários comprimentos de onda de tudo o que resta de RCW 86, o exemplo mais antigo documentado de uma supernova.
Crédito: raios X – NASA/CXC/SAO & ESA; infravermelho – NASA/JPL-Caltech/B. Williams (NCSU)

Uma equipa de astrofísicos confirmou que a expansão do nosso Universo continua a acelerar, apesar de recentes afirmações que sugerem o contrário.

Refutaram um estudo publicado no ano passado que alegava que o crescimento do Universo está a abrandar e insistem que não há qualquer falha na teoria amplamente aceite de que uma força misteriosa conhecida como energia escura está a impulsionar a expansão do cosmos.

Os investigadores, que incluem dois laureados com o Prémio Nobel e que representam instituições de todo o mundo, afirmam que o debate que se seguiu às revelações de novembro passado foi o resultado de um mal-entendido científico, e não de uma “granada cósmica” que ameaçava destruir tudo o que sabemos sobre o Universo.

O seu artigo científico foi publicado na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.

Trata-se de uma refutação direta de um estudo realizado por uma equipa de investigadores sul-coreanos que fez a afirmação errada de que a expansão do Universo poderia ter entrado numa fase de desaceleração, causada pelo enfraquecimento ao longo do tempo da influência da energia escura – que atua como uma espécie de antigravidade.

“As medições anteriores, amplamente aceites, estavam, de facto, corretas e a nossa compreensão atual acerca do destino do Universo continua sólida”, afirmou o autor principal, Dr. Phil Wiseman, da Universidade de Southampton.

“Felizmente, conseguimos evitar esta crise, mas o mistério sobre a razão pela qual o ritmo de expansão do Universo continua a acelerar permanece.

“Ao provar que as nossas medições estão corretas, podemos voltar a tentar compreender o que esta energia escura realmente é, em vez de nos questionarmos se ela existe de todo”.

A equipa internacional de investigadores envolvida no novo estudo incluiu o professor Adam Riess e o professor Brian Schmidt, que ganharam o Prémio Nobel da Física de 2011 juntamente com o professor Saul Perlmutter.

O trio estudou supernovas do Tipo Ia – explosões violentas e luminosas de estrelas anãs brancas – e determinou que os objetos mais distantes pareciam mover-se mais depressa, o que os levou à conclusão de que a expansão do Universo estava a acelerar.

Esta tem sido a teoria globalmente aceite desde então, embora a investigação realizada no ano passado pela equipa sul-coreana tenha ameaçado virar o jogo. A investigação afirmava que, à medida que o Universo envelhecia, estas supernovas apresentavam brilhos máximos diferentes, levando os astrónomos a pensar que o cosmos estava a acelerar quando, na verdade, estava a abrandar.

Mas os investigadores liderados pela Universidade de Southampton descobriram um erro na forma como a idade destas estrelas era estimada. Afirmam que as descobertas anteriores assumiam incorretamente que a idade de uma galáxia era a mesma que a idade da estrela que explodiu.

Os especialistas afirmaram também que o artigo científico sul-coreano não teve em conta a massa das galáxias hospedeiras, uma correção padrão utilizada na cosmologia moderna para comprovar a precisão.

O professor Riess acrescentou: “Afirmações extraordinárias requerem testes especialmente cuidadosos.

“O que descobrimos é que, quando calibramos estas supernovas, tendo em conta os diferentes ambientes e populações hospedeiras, as evidências da aceleração cósmica permanecem notavelmente consistentes”.

O professor Mark Sullivan, também da Universidade de Southampton, afirmou que questionar as teorias e observações aceites é fundamental para a ciência.

“É assim que se avança. Embora esta ideia não se tenha revelado correta, abriu novas perspetivas sobre a forma como as supernovas explodem e como podemos medir a energia escura com maior precisão”, acrescentou.

O coautor, Dr. Brodie Popovic, concordou. “Recentemente, temos estado muito focados na astrofísica das explosões e no impacto que estas têm na cosmologia”, afirmou.

“Esta foi uma boa oportunidade para recuar e rever todas as nossas suposições – afinal, sim, compreendemos isto e estamos a ter isso em conta nas nossas medições cosmológicas”.

// Real Sociedade Astronómica (comunicado de imprensa)
// Universidade de Southampton (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Monthly Notices of the Royal Astronomical Society)

Saiba mais:

Universo:
Wikipedia
A expansão acelerada do Universo (Wikipedia)
Estrutura a grande-escala do Universo (Wikipedia)
Big Bang (Wikipedia)
Cronologia do Universo (Wikipedia)
Fundo cósmico de micro-ondas (Wikipedia)
Modelo Lambda-CDM (Wikipedia)
Indicadores de distâncias cósmicas (Wikipedia)
“Escada” de distâncias cósmicas (Wikipedia)

Energia escura:
Wikipedia

Supernovas:
Wikipedia 
Tipo Ia (Wikipedia)

Sobre Miguel Montes

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