Investigadores atingem “marco” na capacidade de determinar a idade de estrelas antigas

Imagem, gerada por inteligência artififical, de uma estrela supergigante vermelha.

Uma equipa internacional realizou um teste cósmico único para medir a massa de uma estrela antiga que os ajudará a aprender mais sobre a história da nossa Galáxia.

A equipa utilizou dois métodos completamente diferentes para analisar a estrela e descobriu que os resultados eram muito semelhantes, dando aos investigadores uma boa indicação do passado da estrela e das condições em que se formou. A equipa afirma que o resultado constitui um marco na nossa capacidade de determinar as idades de estrelas antigas e de as utilizar como fósseis vivos para estudar o passado distante da Via Láctea.  Esta técnica de investigação torna possível analisar milhares de estrelas antigas na nossa Galáxia, reconstruindo a evolução da Via Láctea ao longo de milhares de milhões de anos.

A equipa analisou a gigante vermelha do sistema estelar binário KIC 10001167 usando duas abordagens independentes – estudando os objetos que orbitam em torno da estrela e modelando as pulsações da gigante vermelha (uma técnica chamada asterossismologia). As massas pulsacionais e orbitais coincidem em 1,4%, permitindo aos investigadores determinar a idade da estrela com uma precisão de 10%.

“Esta é a primeira vez que podemos dizer que a massa medida a partir das pulsações de uma estrela antiga concorda em cerca de um por cento com a massa determinada a partir da sua órbita”, disse Jeppe Sinkbæk Thomsen, o líder do estudo. Jeppe é estudante de doutoramento no Departamento de Física e Astronomia da Universidade de Bolonha, Itália, e fez parte da análise durante uma visita de investigação à Universidade de Keele, Reino Unido.

O movimento orbital de estrelas binárias é uma ferramenta poderosa para medir e validar a massa de estrelas determinada por outros métodos. É bem descrito pela teoria clássica da gravidade, que foi estabelecida no século XVII por Johannes Kepler e Isaac Newton.

As implicações vão para além de uma única estrela. Uma vez que a massa de uma estrela é a chave para determinar a sua idade, este resultado valida o uso da asterossismologia (análise das pulsações) para datar com precisão a idade de estrelas antigas em toda a Galáxia. Isto, por sua vez, constitui uma ferramenta poderosa para reconstruir a forma como a Via Láctea se formou ao longo de milhares de milhões de anos.

John Southworth, coautor do estudo e professor de astrofísica na Universidade de Keele, afirmou: “A ciência é a nossa descrição da realidade e a astrofísica é a nossa descrição do Universo. Comparar métodos diferentes para confirmar que estão de acordo é a base do método científico e é vital para a nossa compreensão das estrelas, do Universo em que se encontram e dos planetas que albergam”.

// Universidade de Keele (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Astronomy & Astrophysics)

Saiba mais:

Asterossismologia:
Wikipedia 
asteroseismology.org

Binário eclipsante:
Wikipedia

Gigante vermelha:
Wikipedia

Sobre Miguel Montes

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