Gás misterioso descoberto perto do centro da Via Láctea

A Via Láctea com o APEX no plano da frente.
Crédito: ESO/B. Tafreshi/TWAN (twanight.org)

Uma equipa internacional de investigadores descobriu gás frio e denso que foi lançado do centro da Via Láctea “como balas”.

Exatamente como o gás foi ejetado ainda é um mistério, mas a equipa de investigação, que inclui a professora Naomi McClure-Griffiths da Universidade Nacional Australiana, afirma que os achados podem ter implicações importantes para o futuro da nossa Galáxia.

“As galáxias podem ser realmente boas em ‘disparar no próprio pé’,” disse a professora McClure-Griffiths.

“Quando expulsamos muita massa, perdemos parte do material que poderia ser usado para formar estrelas e, se perder massa suficiente, a galáxia não poderá mais formar estrelas.

“Assim sendo, ser capaz de ver indícios de que a Via Láctea está a perder este gás formador de estrelas é um tanto ou quanto excitante – faz-nos perguntar o que vai acontecer a seguir!”

O estudo também levanta novas questões sobre o que está a acontecer agora no nosso Centro Galáctico.

“O vento no centro da Via Láctea tem sido tema de muitos debates desde a descoberta, há uma década, das chamadas Bolhas de Fermi – duas esferas gigantes cheias de gás quente e raios cósmicos,” disse a professora McClure-Griffiths.

“Observamos que não há apenas gás quente vindo do centro da nossa Galáxia, mas também gás frio e muito denso.

“Este gás frio é muito mais massivo, de modo que se move menos facilmente.”

O centro da Via Láctea é o lar de um buraco negro supermassivo, mas não está claro se este buraco negro expeliu o gás ou se foi soprado por milhares de estrelas massivas no centro da nossa Galáxia.

“Não sabemos como o buraco negro ou a formação estelar podem produzir este fenómeno. Ainda estamos à procura de evidências incontornáveis, mas fica mais complicado de cada vez que aprendemos mais sobre ele,” disse o autor principal, Dr. Enrico Di Teodoro, da Universidade Johns Hopkins.

“Esta é a primeira vez que algo deste género foi observado na nossa Galáxia. Vemos este tipo de processos a acontecer noutras galáxias. Mas, com galáxias distantes temos buracos negros muito mais massivos, a formação estelar é maior, o que torna mais fácil a galáxia expelir material.

“E estas outras galáxias estão, obviamente, muito longe, não podemos vê-las com grande detalhe.

“A nossa própria Galáxia é quase como um laboratório em que podemos realmente entrar e tentar entender como as coisas funcionam observando-as de perto.”

O gás foi observado usando o APEX (Atacama Pathfinder EXperiment) operado pelo ESO no Chile.

// Universidade Nacional Australiana (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Nature)

Saiba mais:

Via Láctea:
Wikipedia
SEDS

Sagitário A*:
Wikipedia

Bolhas de Fermi:
NASA
Wikipedia

APEX:
ESO
Wikipedia

Sobre Miguel Montes

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