
Uma equipa de investigação liderada por Makoto Miyoshi, professor asisstente do NAOJ (National Astronomical Observatory of Japan), reanalisou de forma independente os dados das observações do buraco negro supermassivo no centro da nossa Galáxia obtidos e publicados pelo projeto internacional de observação conjunta EHT (Event Horizon Telescope). Descobriram que a estrutura é ligeiramente alongada na direção este-oeste. Esta investigação lança um novo olhar sobre os dados publicamente disponíveis do EHT e demonstra o processo científico no qual a certeza da resposta aumenta à medida que diferentes investigadores continuam a examinar e a discutir uma teoria.
A Via Láctea, a galáxia onde vivemos, contém mais de 100 mil milhões de estrelas semelhantes ao Sol. Existem inúmeras galáxias deste tamanho no Universo, a maioria das quais se pensa ter buracos negros supermassivos nos seus centros, com massas milhões a milhares de milhões de vezes a do Sol. A Via Láctea também tem um buraco negro supermassivo no seu centro, chamado Sagitário A*. O buraco negro engole tudo o que lhe está mais próximo, incluindo a luz, tornando impossível ver o próprio buraco negro supermassivo, mas a análise das estrelas que circulam o buraco negro a alta velocidade indica que Sagitário A* tem uma massa cerca de 4 milhões de vezes superior à do Sol. Observando cuidadosamente o seu meio envolvente, podemos obter pistas sobre a natureza deste buraco negro invisível.
O EHT observou Sagitário A* em 2017 com uma rede de oito radiotelescópios terrestres, utilizando uma técnica conhecida como interferometria de rádio para combinar os resultados dos vários telescópios. Os resultados destas observações foram publicados em 2022, incluindo uma imagem de uma brilhante estrutura em forma de anel que rodeia uma região central escura, indicando a presença de um buraco negro.
Em contraste com a típica fotografia, os dados de observações que ligam vários radiotelescópios muito separados contêm muitas lacunas na sua integridade, pelo que são utilizados algoritmos especiais para construir uma imagem a partir dos dados. Nesta investigação, a equipa aplicou métodos tradicionais amplamente utilizados aos dados do EHT, em oposição ao método de análise original do próprio EHT. Miyoshi explica: “A nossa imagem é ligeiramente alongada na direção este-oeste, e a metade oriental é mais brilhante do que a metade ocidental. Pensamos que este aspeto significa que o disco de acreção que rodeia o buraco negro está a girar”.

Crédito: Miyoshi et al., NAOJ
Os dados observacionais e os métodos de análise do EHT estão disponíveis gratuitamente, e muitos investigadores validaram os resultados da análise do EHT. Esta investigação também faz parte destas atividades regulares de verificação. A radiointerferometria que liga telescópios em todo o mundo é uma tecnologia em desenvolvimento e a investigação sobre análise de dados e processamento de imagens está em curso, incorporando conhecimentos de estatística e de outras disciplinas relacionadas. As estruturas apresentadas nesta investigação diferem dos resultados da equipa do EHT, mas ambas são estruturas plausíveis derivadas dos dados utilizando os respetivos métodos. O EHT desempenha um papel importante na investigação dos buracos negros, solicitando verificações independentes e fornecendo dados de cariz livre para verificação. Espera-se que uma imagem mais fiável de Sagitário A* surja de uma discussão ativa entre investigadores, com base em métodos de análise melhorados e em dados de observações de acompanhamento realizadas desde 2018.
// NAOJ (comunicado de imprensa)
// Projeto Jasmine do NAOJ (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Monthly Notices of the Royal Astronomical Society)
Saiba mais:
Sagitário A*:
Wikipedia
Buraco negro supermassivo:
Wikipedia
EHT (Event Horizon Telescope):
Página principal
Wikipedia
CCVAlg – Astronomia Centro Ciência Viva do Algarve – Astronomia