OSIRIS-REx, 1 ano depois: amostra de asteroide continua a fornecer pistas sobre o início do Sistema Solar e as origens da vida na Terra

Dante Lauretta (à direita), professor na Universidade do Arizona e investigador principal da OSIRIS-REx, recolhe dados científicos com Francis McCubbin, curador de Astromateriais da NASA, e Scott Sandford, líder científico da cápsula de retorno de amostras da NASA, pouco depois da cápsula da missão OSIRIS-REx ter aterrado no Campo de Testes e Treino do Utah, do Departamento de Defesa dos EUA, no dia 24 de setembro de 2023. A amostra foi recolhida do asteroide Bennu em outubro de 2020. Crédito: NASA/Keegan Barber

Já passou um ano desde que a nave espacial OSIRIS-REx da NASA entregou, com sucesso, a maior amostra de um asteroide de sempre à Terra, no dia 24 de setembro de 2023.

Desde então, pistas intrigantes sobre os primórdios do Sistema Solar e as potenciais origens da vida na Terra surgiram do estudo da amostra, sob a liderança do investigador principal da OSIRIS-REx, Dante Lauretta, professor de ciências planetárias na Universidade do Arizona, EUA.

A entrega bem-sucedida de 122 gramas de material do asteroide próximo da Terra, Bennu, assinalou um momento crucial na exploração do espaço. A missão recolheu mais do dobro do requisito inicial de 60 gramas de material da superfície do asteroide. Os exames iniciais do material revelaram informações cruciais sobre a composição do asteroide. Os investigadores identificaram quantidades significativas de compostos à base de carbono e minerais hidratados na amostra, apoiando hipóteses sobre o potencial papel dos asteroides em trazer componentes essenciais para a vida à Terra primitiva.

Os cientistas também descobriram na amostra a presença de fosfato de magnésio e sódio, um específico mineral de fosfato que não foi detetado durante o estudo remoto do asteroide. Este facto sugere que as origens de Bennu podem ser mais complexas do que se pensava inicialmente. Também sugere que o asteroide poderá ter nascido de um corpo celeste maior e rico em água.

“Um ano depois da OSIRIS-REx ter entregue a sua amostra à Terra, estou espantado com as descobertas que fizemos”, disse Lauretta. “Encontrar compostos orgânicos e sinais de um passado aquoso em Bennu aproxima-nos da compreensão das origens do nosso Sistema Solar e da química que pode ter desencadeado a vida na Terra. É uma poderosa lembrança de como estamos profundamente ligados ao Universo”.

Embora a maior parte do material do asteroide continue a ser cuidadosamente conservado nas instalações especializadas da NASA, algumas partes foram atribuídas a importantes instituições de investigação, incluindo a Universidade do Arizona. Alguns museus dos EUA exibem agora fragmentos do material extraterrestre, como parte de uma iniciativa para encorajar um maior envolvimento do público com este feito científico.

Guardado num recipiente transparente protegido por um invólucro metálico, esta pedrinha recolhida do asteroide Bennu pela nave espacial OSIRIS-REx está em exposição no Museu de Minerais da Universidade do Arizona.
Crédito: Chris Richards/Universidade do Arizona

“A viagem da OSIRIS-REx ultrapassou as nossas maiores expetativas, em grande parte graças à dedicação e perspicácia dos estudantes que estiveram no centro desta missão”, disse Lauretta. “Sendo um projeto liderado por uma universidade, conseguimos envolver diretamente os estudantes em descobertas inovadoras. Estas descobertas não só expandem o nosso conhecimento científico como também demonstram o papel único que uma universidade pode desempenhar no avanço da exploração espacial, promovendo um ambiente de aprendizagem prática que prepara a próxima geração para liderar o futuro da ciência planetária”.

O âmbito da missão OSIRIS-REx foi alargado para além dos seus objetivos iniciais. A nave espacial, agora com o novo nome OSIRIS-APEX, embarcou numa nova missão para estudar o asteroide próximo da Terra Apophis. Esta missão alargada é liderada por Dani Mendoza DellaGiustina, professor assistente no Laboratório Lunar e Planetário da Universidade do Arizona. A missão OSIRIS-APEX tem como objetivo observar Apophis durante a aproximação deste asteroide à Terra em 2029, o que poderá fornecer dados sem precedentes sobre as interações entre objetos próximos da Terra e o campo gravitacional do nosso planeta.

O estudo do asteroide Apophis tem um significado particular para as estratégias de defesa planetária. Sendo um asteroide representativo de objetos próximos da Terra potencialmente perigosos, Apophis poderá fornecer dados críticos para o desenvolvimento de futuras medidas de proteção planetária.

// Universidade do Arizona (comunicado de imprensa)

Saiba mais:

Asteroide Bennu:
NASA
NASA – 2 
Wikipedia

OSIRIS-REx:
Página oficial
NASA
Facebook
YouTube
Instagram
Wikipedia

Sobre Miguel Montes

Veja também

Missão TESS revela os planetas mais “inchados” já descobertos

A missão TESS da NASA descobriu os dois exoplanetas mais “fofos” alguma vez observados: TOI-791 b e TOI-791 c. Apesar de terem dimensões semelhantes às de Júpiter, são tão pouco densos que são mais leves do que algodão doce. Este raro par de "superinchados" poderá ajudar os astrónomos a compreender como os gigantes gasosos se formam e evoluem.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *