Reveladas tempestades abrasadoras em mundos distantes

Impressão de artista da anã castanha mais próxima da Terra, parte de um sistema binário a apenas seis anos-luz de distância. Crédito: ESO/I. Crossfield/N. Risinger

Os astrónomos criaram o boletim meteorológico mais detalhado até agora para dois mundos distantes para lá do nosso Sistema Solar.

O estudo internacional – o primeiro do seu género – revela as condições atmosféricas extremas dos objetos celestes, que estão envoltos em nuvens rodopiantes de areia quente, com temperaturas de 950°C.

Utilizando o Telescópio Espacial James Webb (JWST), um projeto conjunto das agências espaciais americana, europeia e canadiana, os investigadores propuseram-se captar o clima num par de anãs castanhas – corpos cósmicos maiores do que planetas, mas mais pequenos do que estrelas.

Estas anãs castanhas, designadas coletivamente por WISE 1049AB, são os objetos do seu tipo mais brilhantes e mais próximos da Terra, a cerca de seis anos-luz de distância.

A equipa estudou a atmosfera de cada anã castanha medindo as ondas de luz emitidas pelas suas superfícies, que mudam à medida que as regiões mais ou menos nubladas entram e saem do campo de visão.

Visualizando estes dados através de curvas de luz – um gráfico da forma como o brilho da luz de cada objeto muda ao longo do tempo – a equipa conseguiu construir uma imagem 3D detalhada da forma como o clima das anãs castanhas mudou ao longo de uma rotação completa, ou de um dia, entre cinco e sete horas.

A equipa também conseguiu traçar a forma como a luz de cada objeto variava em função do comprimento de onda, para demonstrar a presença e a complexa interação de gases como a água, o metano e o monóxido de carbono nas suas atmosferas.

As descobertas podem ajudar os astrónomos a desenvolver a compreensão das anãs castanhas como um potencial elo perdido entre as estrelas e os planetas – prometendo novos conhecimentos sobre ambos.

Ao observar a parte infravermelha do espetro luminoso, o JWST é capaz de observar comprimentos de onda de luz que são bloqueados pela nossa própria atmosfera.

Esta capacidade abre fronteiras no estudo do início do Universo, da formação estelar e dos chamados exoplanetas, como as anãs castanhas, que se encontram para além do nosso Sistema Solar.

Este estudo mais recente baseia-se em estudos anteriores sobre anãs castanhas, que se limitaram principalmente a captar instantâneos da sua atmosfera apenas de um lado. Os investigadores dizem que esta abordagem é limitada, uma vez que se sabe que as anãs castanhas giram relativamente depressa e que o seu clima pode variar muito ao longo do tempo.

As suas descobertas abrirão caminho a estudos mais detalhados sobre anãs castanhas e sobre outros objetos celestes distantes.

O estudo, publicado na revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, foi realizado pela Universidade de Edimburgo em colaboração com investigadores do Trinity College em Dublin, da Universidade da Virgínia e de outros institutos de todo o mundo.

A professora Beth Biller, da Universidade de Edimburgo, afirmou: “As nossas descobertas mostram que estamos à beira de transformar a nossa compreensão de mundos muito para além do nosso.

“Conhecimentos como estes podem ajudar-nos a compreender as condições não só de objetos celestes como as anãs castanhas, mas também de exoplanetas gigantes para lá do nosso Sistema Solar.

“Eventualmente, as técnicas que estamos a aperfeiçoar aqui poderão permitir as primeiras deteções de condições meteorológicas em planetas habitáveis como o nosso, que orbitam outras estrelas.”

// Real Sociedade Astronómica (comunicado de imprensa)
// Universidade de Edimburgo (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Monthly Notices of the Royal Astronomical Society)
// Artigo científico (arXiv.org)

Saiba mais:

Notícias relacionadas:
ScienceDaily
Universe Today
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Forbes

WISE 1049AB (Luhman 16):
Wikipedia

Anãs castanhas:
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Andy Lloyd’s Dark Star Theory

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Sobre Miguel Montes

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