Surpresa em Mimas: lua minúscula contém um oceano jovem sob a sua concha gelada

Semelhantes em tamanho e em órbita de Saturno, as luas Encélado (à esquerda, diâmetro de cerca de 500 km) e Mimas (à direita, diâmetro de cerca de 400 km) têm superfícies muito diferentes, aparentemente refletindo condições internas incompatíveis. E, no entanto, ambas albergam um oceano de água líquida sob as suas superfícies.
Crédito: Frédéric Durillon, Animea Studio | Observatório de Paris – PSL, IMCCE

Esta descoberta espantosa, liderada pelo Dr. Valéry Lainey do Observatório de Paris-PSL e publicada na revista Nature, revela um oceano “jovem” formado há apenas 5 a 15 milhões de anos, o que torna Mimas um alvo principal para o estudo das origens da vida no nosso Sistema Solar.

“Mimas é uma lua pequena, com apenas cerca de 400 quilómetros de diâmetro, e a sua superfície altamente craterada não dá qualquer indício do oceano escondido por baixo”, diz o Dr. Nick Cooper, coautor do estudo e investigador honorário na Unidade de Astronomia da Escola de Ciências Físicas e Químicas da QMUL (Queen Mary University of London). “Esta descoberta acrescenta Mimas a um clube exclusivo de luas com oceanos internos, incluindo Encélado e Europa, mas com uma diferença única: o seu oceano é extraordinariamente jovem, estimando-se que tenha apenas 5 a 15 milhões de anos.”

Esta idade, determinada através de uma análise detalhada das interações das marés de Mimas com Saturno, sugere que o oceano se formou recentemente, com base na descoberta de uma irregularidade inesperada na sua órbita. Como resultado, Mimas fornece uma janela única para as fases iniciais da formação de um oceano e para o potencial aparecimento de vida.

“A existência de um oceano de água líquida, recentemente formado, faz de Mimas um excelente candidato para estudo pelos investigadores que estão a estudar a origem da vida”, explica o Dr. Cooper. A descoberta foi possível através da análise de dados da nave espacial Cassini da NASA, que estudou meticulosamente Saturno e as suas luas durante mais de uma década. Examinando de perto as mudanças subtis na órbita de Mimas, os investigadores foram capazes de inferir a presença de um oceano escondido e de estimar o seu tamanho e profundidade.

O Dr. Cooper acrescenta: “Este foi um grande esforço de equipa, com colegas de cinco instituições diferentes e três países diferentes a juntarem-se sob a liderança do Dr. Valéry Lainey para desvendar outra característica fascinante e inesperada do sistema de Saturno, usando dados da missão Cassini”.

A descoberta do jovem oceano de Mimas tem implicações significativas para a nossa compreensão do potencial de vida para lá da Terra. Sugere que mesmo luas pequenas e aparentemente inativas podem albergar oceanos escondidos capazes de suportar condições essenciais à vida. Isto abre novas e excitantes avenidas para a exploração futura, potencialmente levando-nos mais perto de responder à velha questão: estamos sós no Universo?

// QMUL (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (Nature)

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Notícias relacionadas:
SPACE.com
Scientific American
PHYSORG
New Scientist
ScienceNews
CNN
Reuters
National Geographic

Mimas:
NASA
Solarviews
Wikipedia

Saturno:
NASA
Solarviews
Wikipedia

Sonda Cassini:
NASA
Wikipedia

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