Juno vai observar de perto a lua vulcânica de Júpiter, Io, a 30 de dezembro

Esta imagem que revela a região polar norte da lua Joviana, Io, foi obtida no dia 15 de outubro pela sonda Juno da NASA. Três dos picos montanhosos visíveis na parte superior da imagem, perto da linha entre o dia e a noite, foram aqui observados pela primeira vez pela câmara JunoCam da sonda espacial.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/SwRI/MSSS; processamento: Ted Stryk

A nave espacial Juno da NASA fará no sábado, 30 de dezembro, a mais íntima passagem pela lua de Júpiter, Io, de qualquer nave espacial em mais de 20 anos. Ao passar a cerca de 1500 quilómetros da superfície do mundo mais vulcânico do nosso Sistema Solar, espera-se que a passagem permita aos instrumentos da Juno gerar uma grande quantidade de dados.

“Combinando os dados desta passagem com as nossas observações anteriores, a equipa científica da Juno está a estudar a variação dos vulcões de Io”, disse o investigador principal da Juno, Scott Bolton do SwRI (Southwest Research Institute) em San Antonio, Texas, EUA. “Estamos a procurar a frequência com que entram em erupção, o brilho e a temperatura, a forma do fluxo de lava e como a atividade de Io está ligada ao fluxo de partículas carregadas na magnetosfera de Júpiter”.

Uma segunda passagem muito próxima de Io está agendada para 3 de fevereiro de 2024, na qual a Juno se aproximará novamente a cerca de 1500 quilómetros da superfície.

A sonda tem vindo a monitorizar a atividade vulcânica de Io a distâncias que variam entre cerca de 11.000 quilómetros e mais de 100.000 quilómetros, e proporcionou as primeiras vistas dos polos norte e sul da lua. A nave espacial também já passou perto das luas geladas Ganimedes e Europa.

“Com os nossos dois ‘flybys’ próximos em dezembro e fevereiro, a Juno irá investigar a origem da enorme atividade vulcânica de Io, se existe um oceano de magma por baixo da sua crosta e a importância das forças de maré de Júpiter, que estão a apertar implacavelmente esta lua torturada”, disse Bolton.

Agora, no terceiro ano da sua missão alargada para investigar a origem de Júpiter, a nave espacial alimentada a energia solar irá também explorar o sistema de anéis onde residem algumas das luas interiores do gigante gasoso.

As três câmaras a bordo da Juno estarão ativas durante a passagem por Io. A câmara JIRAM (Jovian Infrared Auroral Mapper), que capta imagens no infravermelho, irá recolher as assinaturas de calor emitidas pelos vulcões e caldeiras que cobrem a superfície da lua. A câmara de navegação estelar (chamada “Stellar Reference Unit”, que também forneceu ciência valiosa) obterá a imagem de maior resolução da superfície até à data. E a JunoCam irá obter imagens a cores no visível.

A JunoCam foi incluída na nave espacial para o envolvimento do público e foi concebida para funcionar até oito passagens por Júpiter. O próximo “flyby” por Io será a 57.ª órbita da Juno em torno de Júpiter, onde a nave espacial e as câmaras têm suportado um dos ambientes de radiação mais exigentes do Sistema Solar.

“Os efeitos cumulativos de toda esta radiação começaram a aparecer na JunoCam nas últimas órbitas”, disse Ed Hirst, gestor do projeto Juno no LJPL da NASA, no sul do estado norte-americano da Califórnia. “As imagens do último ‘flyby’ mostram uma redução da gama dinâmica do gerador de imagens e o aparecimento de ruído. A nossa equipa de engenharia tem estado a trabalhar em soluções para aliviar os danos causados pela radiação e para manter o gerador de imagens a funcionar.”

Esta imagem da lua de Júpiter, Io, pela JunoCam, capta uma pluma de material ejetado do (invisível) vulcão Prometeu. Indicada pela seta vermelha, a pluma é visível na escuridão abaixo do terminador (a linha que divide o dia e a noite). A imagem foi obtida pela sonda Juno da NASA no dia 15 de outubro.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/SwRI/MSSS

Mais Io, por favor

Após vários meses de estudo e avaliação, a equipa da Juno ajustou a trajetória futura planeada da nave espacial para acrescentar sete novas passagens distantes por Io (num total de 18) ao plano de missão alargado. Depois da passagem próxima por Io, a 3 de fevereiro, a nave espacial passará por Io em órbitas alternadas, com cada órbita a ficar progressivamente mais distante: a primeira será a uma altitude de cerca de 16.500 quilómetros acima de Io, e a última será a cerca de 115.000 quilómetros.

A atração gravitacional de Io sobre Juno, durante esta passagem de 30 de dezembro, reduzirá a órbita da nave espacial em torno de Júpiter de 38 para 35 dias. A órbita de Juno cairá para 33 dias após o “flyby” de 3 de fevereiro.

Depois disso, a nova trajetória da Juno fará com que Júpiter bloqueie o Sol, da perspetiva da nave espacial, durante cerca de cinco minutos, na altura em que o orbitador está mais próximo do planeta. Embora esta seja a primeira vez que a nave espacial movida a energia solar se depara com a escuridão desde o seu “flyby” pela Terra em outubro de 2013, a duração será demasiado curta para afetar o seu funcionamento geral. À exceção do eclipse de 3 de fevereiro, a nave espacial irá encontrar eclipses solares como este durante todos os “flybys” próximos de Júpiter a partir de agora e até ao fim da sua missão, que termina no final de 2025.

A partir de abril de 2024, a nave espacial levará a cabo uma série de experiências de ocultação que utilizam a experiência de gravidade da Juno para sondar a composição atmosférica superior de Júpiter, o que fornece informações fundamentais sobre a forma e a estrutura interior do planeta.

// NASA (comunicado de imprensa)

Saiba mais:

Io:
NASA
Nine Planets
Wikipedia

Júpiter:
NASA
Nine Planets
Wikipedia

Missão Juno:
NASA
SwRI
Wikipedia

Sobre Miguel Montes

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