
Crédito: SwRI
Um novo estudo liderado pelo Dr. Alan Stern, cientista planetário e vice-presidente associado do SwRI (Southwest Research Institute), postula que os grandes montes com cerca de 5 quilómetros de tamanho que dominam o aspeto do lóbulo maior do objeto Arrokoth, da Cintura de Kuiper, são suficientemente semelhantes para sugerir uma origem comum. O estudo do SwRI sugere que estes “blocos de construção” podem orientar o trabalho futuro sobre modelos de formação de planetesimais. Stern apresentou estes resultados esta semana na 55.ª reunião anual da Divisão de Ciências Planetárias da Sociedade Astronómica Americana, em San Antonio. Estes resultados foram também publicados na revista The Planetary Science Journal.
A nave espacial New Horizons da NASA passou por Arrokoth em 2019. A partir desses dados, Stern e seus coautores identificaram 12 montes no lóbulo maior de Arrokoth, Wenu, que têm quase a mesma forma, tamanho, cor e refletividade. Também identificaram provisoriamente mais três montes no lóbulo mais pequeno do objeto, Weeyo.
“É espantoso ver este objeto tão bem preservado que a sua forma revela diretamente estes detalhes da sua montagem a partir de um conjunto de blocos de construção muito semelhantes entre si”, disse o Dr. Will Grundy, do Observatório Lowell, coinvestigador da missão New Horizons. “Arrokoth quase parece uma framboesa, feito de pequenas subunidades”.
A geologia de Arrokoth apoia o modelo da instabilidade de fluxo para a formação de planetesimais, onde velocidades de colisão de apenas alguns quilómetros por hora permitiram que os objetos se acumulassem suavemente para construir Arrokoth numa área local da nebulosa solar que sofria colapso gravitacional.

Crédito: New Horizons/NASA/JHUAPL/SwRI/James Tuttle Keane
“As semelhanças, incluindo nos tamanhos e noutras propriedades das estruturas dos montes de Arrokoth, sugerem novas informações sobre a sua formação”, disse Stern, o investigador principal da missão New Horizons. “Se os montes são de facto representativos dos blocos de construção de antigos planetesimais como Arrokoth, então os modelos de formação de planetesimais terão de explicar o tamanho preferido para estes blocos de construção”.
É muito provável que alguns dos alvos de “flyby” da missão Lucy da NASA, aos asteroides troianos de Júpiter, e da missão Comet Interceptor da ESA sejam outros planetesimais imaculados, o que poderá contribuir para a compreensão da acreção de planetesimais noutros locais do antigo Sistema Solar, e se diferem dos processos que a New Horizons encontrou na Cintura de Kuiper.
“Será importante procurar estruturas semelhantes a montes nos planetesimais que estas missões observarem, para ver até que ponto este fenómeno é comum, como um guia adicional para as teorias de formação de planetesimais”, disse Stern.
// SwRI (comunicado de imprensa)
// Artigo científico (The Planetary Science Journal)
// Artigo científico (arXiv.org)
Saiba mais:
Arrokoth (2014 MU69; Ultima Thule):
NASANASA – 2
JHUAPL
Wikipedia
Modelo da instabilidade de fluxo:
Wikipedia
CCVAlg – Astronomia Centro Ciência Viva do Algarve – Astronomia