
Crédito: NASA/Keegan Barber
Após anos de antecipação e trabalho árduo da equipa OSIRIS-REx (Origins, Spectral Interpretation, Resource Identification and Security – Regolith Explorer) da NASA, uma cápsula com poeira e rochas recolhidas do asteroide Bennu está finalmente na Terra. A cápsula aterrou às 15:52 (hora portuguesa) de domingo, numa área designada do Campo de Testes e Treino do Departamento de Defesa do Utah, perto de Salt Lake City.
Uma hora e meia depois, a cápsula foi transportada de helicóptero para uma sala limpa temporária instalada num hangar no campo de treino, onde esteve ligada a um fluxo contínuo de azoto.
Colocar a amostra sob uma “purga de azoto”, como os cientistas lhe chamam, foi uma das tarefas mais críticas da equipa OSIRIS-REx. O azoto é um gás que não interage com a maioria dos outros químicos, e um fluxo contínuo deste elemento para o recipiente de amostras no interior da cápsula mantém afastados os contaminantes terrestres, deixando a amostra pura para as análises científicas.
As amostras recolhidas de Bennu ajudarão os cientistas de todo o mundo a fazer descobertas para melhor compreender a formação dos planetas e a origem dos elementos orgânicos e da água que levaram à vida na Terra, bem como beneficiarão toda a humanidade ao aprender mais sobre asteroides potencialmente perigosos.
“Parabéns à equipa OSIRIS-REx por uma missão perfeita – o primeiro envio de uma amostra de um asteroide na história dos EUA – que irá aprofundar a nossa compreensão da origem do nosso Sistema Solar e da sua formação. Já para não falar que Bennu é um asteroide potencialmente perigoso, e o que aprendermos com a amostra ajudar-nos-á a compreender melhor os tipos de asteroides que poderão surgir no nosso caminho”, disse o Administrador da NASA, Bill Nelson. “Com o lançamento da OSIRIS-REx e da Psyche dentro de algumas semanas, o aniversário de um ano da DART e a primeira aproximação da Lucy a um asteroide em novembro, o ‘Outono dos Asteroides’ está em pleno andamento. Estas missões provam mais uma vez que a NASA faz grandes coisas. Coisas que nos inspiram e nos unem. Coisas que mostram que nada está fora do nosso alcance quando trabalhamos em conjunto”.
A amostra de Bennu – estimada em 250 gramas – foi transportada no seu recipiente fechado por avião para o Centro Espacial Johnson da NASA em Houston na segunda-feira, 25 de setembro. Os cientistas que aí se encontram irão desmontar o recipiente, extrair e pesar a amostra, criar um inventário das rochas e poeiras e, com o passar do tempo, distribuir amostras de Bennu a cientistas de todo o mundo.
O envio de uma amostra de asteroide – a primeira vez que os EUA fazem tal façanha – correu de acordo com o planeado graças ao enorme esforço de centenas de pessoas que dirigiram remotamente a viagem da nave espacial desde o seu lançamento a 8 de setembro de 2016. A equipa guiou-a até à chegada a Bennu, a 3 de dezembro de 2018, enquanto procuravam um local seguro para a recolha de amostras entre 2019 e 2020, durante a recolha de amostras a 20 de outubro de 2020 e durante a viagem de regresso desde 10 de maio de 2021.
“O dia de hoje constitui um marco extraordinário não só para a equipa da OSIRIS-REx, mas também para a ciência em geral”, afirmou Dante Lauretta, investigador principal da OSIRIS-REx na Universidade do Arizona, no estado norte-americano de Tucson. “A entrega bem-sucedida de amostras de Bennu à Terra é um triunfo do engenho colaborativo e um testemunho do que podemos conseguir quando nos unimos com um objetivo comum. Mas não nos esqueçamos – embora isto possa parecer o fim de um capítulo incrível, é na verdade apenas o início de outro. Temos agora a oportunidade sem precedentes de analisar estas amostras e aprofundar os segredos do nosso Sistema Solar”.
Depois de viajar milhares de milhões de quilómetros até Bennu e voltar, a nave espacial OSIRIS-REx libertou a sua cápsula de amostras em direção à atmosfera terrestre às 11:42 de passado domingo (hora portuguesa). A nave estava a 102.000 quilómetros da superfície da Terra nessa altura – cerca de um-terço da distância da Terra à Lua.
Viajando a 44.500 km/h, a cápsula entrou na atmosfera às 15:42 (hora portuguesa), ao largo da costa da Califórnia, a uma altitude de cerca de 133 quilómetros. Em 10 minutos, aterrou no campo militar. Durante o trajeto, dois para-quedas foram lançados com sucesso para estabilizar e abrandar a cápsula até uma velocidade suave de 18 km/h no momento da aterragem.
“Toda a equipa se sentiu entusiasmada hoje, mas isso é a antecipação de um evento crítico por uma equipa bem preparada”, disse Rich Burns, gestor do projeto OSIRIS-REx no Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado norte-americano de Maryland. “Para nós, este foi como o Campeonato do Mundo e a equipa teve um desempenho impecável”.
Os instrumentos de radar, instrumentos infravermelhos e óticos, no ar e no solo, seguiram a cápsula até às coordenadas de aterragem numa área do campo de testes com 58 por 14 quilómetros. Em poucos minutos, a equipa de recuperação foi enviada para o local onde se encontrava a cápsula para a inspecionar e recuperar. A equipa encontrou a cápsula em bom estado às 16:07 (hora portuguesa) e determinou que era seguro aproximar-se dela. Em 70 minutos, embrulharam-na para a transportar em segurança para uma sala limpa temporária no campo de tiro, onde permaneceu sob supervisão contínua e purga de azoto.
// NASA (comunicado de imprensa)
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